Yusuf (que a paz esteja sobre ele)

Yusuf (que a paz esteja sobre ele)

A história de Yusuf (José do Egito) foi revelada depois que um israelita perguntou ao profeta Muhammad, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, o que ele sabia sobre o profeta Yusuf. A história de Yusuf não era conhecida pelos árabes na época e era parte de um teste que os judeus idealizaram para avaliar a reivindicação do profeta Muhammad à profecia. As histórias no Alcorão geralmente são contadas em pequenos trechos e distribuídas em vários capítulos. A história de Yusuf, entretanto, é diferente. Foi revelada em um único capítulo, do início ao fim.  

A história de Yusuf está estruturada por uma introdução de três versículos e um epílogo de 10 versículos. Geralmente se concorda que foi revelada em Makkah, em um ano conhecido como o Ano da Tristeza. O profeta Muhammad perdeu dois de seus apoiadores mais próximos, a sua amada esposa Khadija e seu tio Abu Talib. A história de Yusuf confirma incondicionalmente que Allah tem controle total sobre todos os assuntos. É uma história de paciência em face de adversidade e confiança em face de tristeza.


A melhor história (versículos 1-3)

O Alcorão é um livro revelado na língua árabe para esclarecer as coisas e contém informação que Muhammad desconhecia. A história é chamada a melhor das histórias porque contém informação relevante para os eventos acontecendo na época da revelação e lições para toda a humanidade.

Sonhos e ilusão (versículos 4-18)

Yusuf tem um sonho no qual vê o sol, a lua e onze estrelas prostradas diante dele. Isso é interpretado como homens se curvando a ele. Confidencia a seu pai, que o aconselha a não contar aos seus irmãos. 

Yusuf e Benjamim eram os filhos da segunda esposa de Yaqub (Jacó). Os filhos anteriores eram mais velhos, mais fortes e cheios de si. Cegos pelo ciúme, planejam matar Yusuf. Um dos irmãos convence os outros a jogá-lo no poço, ao invés de matá-lo. Levam adiante seu plano desonesto e, usando o maior medo de seu pai (ataque de um lobo) e uma túnica manchada de sangue, tentam convencê-lo da morte de Yusuf. Enquanto isso, Allah alivia o medo de Yusuf e inspira a ele que um dia informará seus irmãos de seus atos, enquanto não percebem quem ele é. O pai de Yusuf, Yaqub, sentiu a traição, mas se voltou para Allah e aceitou as notícias com confiança e paciência.

Yusuf se estabelece no Egito (versículos 19-22)

Yusuf é resgatado do poço e vendido como escravo por preço baixo para um homem influente do Egito, que comenta com sua esposa que Yusuf pode ser útil a eles. Allah observa que estabeleceu Yusuf na terra e lhe proveu com sustento para ensinar-lhe a interpretação de sonhos. Allah possui total controle sobre os Seus assuntos, mas a maioria das pessoas está cega para isso. Yusuf cresce em condições confortáveis e Allah lhe concede bom julgamento e conhecimento. Ele permanece na casa de um político aprendendo como negociar e a tomar decisões sábias.

A sedução fracassada (versículos 23-30)

A esposa do político egípcio observa Yusuf crescer, se tornar homem e se sente atraída por ele. Tenta seduzi-lo, mas ele busca refúgio em Allah. A esposa persegue Yusuf até a porta da frente, justo quando o marido entra na casa. Então, ela tenta colocar a culpa em Yusuf, mas um membro da casa destaca que a túnica dele estava rasgada na parte de trás. As mulheres da cidade começaram a fazer fofoca sobre Yusuf e a esposa do político.

Yusuf prefere a prisão (versículos 31-35)

Depois que ela ouve as fofocas, convida as mulheres à sua casa para mostrar como Yusuf era belo e atraente. Dá uma faca a cada uma e pede a Yusuf que apareça. As mulheres ficam atônitas e cortam suas mãos. Ela conta que tentou seduzi-lo, mas ele resistiu e o ameaça dizendo que se ele não obedecer, irá para a prisão. Yusuf teme se deixar seduzir e pede a Allah que o proteja, dizendo que prefere ir para a prisão a ceder àquilo. 

Mais sonhos (versículos 36-40)

É enviado à prisão e fica junto com outros dois prisioneiros que discutem seus sonhos com Yusuf e pedem a ele que os interprete. Um deles disse: “Sonhei que estava espremendo uvas”; o outro disse: “Sonhei que estava carregando pão sobre minha cabeça e os pássaros o comiam.” Yusuf lembrou a eles que Allah provê o sustento, e então respondeu que é capaz de interpretar sonhos porque Allah o ensinou a fazê-lo. Ele explicou sua crença em Allah e no Dia do Juízo.  Também afirmou que sua família, a família de Ibrahim, Ishaq e Yaqub, detém o conhecimento da Unicidade de Allah e que sua religião e sua família não atribuem parceiros a Allah – mesmo quando a maioria das pessoas não percebe.

Yusuf permanece na prisão (versículos 41-42)

Yusuf interpreta o sonho. Um servirá vinho ao seu mestre; o outro será crucificado e os pássaros bicarão sua cabeça. Yusuf pede ao que será salvo para mencioná-lo ao seu mestre, mas o Shaitan faz o homem esquecer e Yusuf permanece na prisão por mais tempo.

A inocência de Yusuf é estabelecida (versículos 43-57)

O rei (do Egito) pede aos seus conselheiros que interpretem seu sonho. “Sonhei com sete vacas gordas sendo comidas por sete vacas magras; sete espigas verdes de milho e [sete] outras ressecadas.” Foram incapazes de interpretá-lo e o ex-prisioneiro se lembrou de Yusuf. Correu para Yusuf, que interpreta o sonho e o rei pede que ele seja trazido à sua presença. O ex-prisioneiro se vira para Yusuf, mas este pede a ele que pergunte ao seu mestre (o rei) sobre as mulheres que cortaram as mãos. O rei estabelece a inocência de Yusuf. Yusuf diz que queria que seu mestre, o político, soubesse que ele não o traiu e nem abusou de sua confiança. Yusuf, então, aparece perante o rei, que lhe oferece uma posição de alto escalão. Yusuf pede para ser encarregado dos armazéns. Dessa maneira Allah estabelece Yusuf na terra. Allah reforça que garante misericórdia a quem desejar e não deixa de recompensar o bem. A recompensa na Outra Vida, Ele destaca, é a melhor. 

Uma previsão em sonho é cumprida (versículos 58-66)

Os irmãos de Yusuf se apresentam perguntando pela medida de grãos. Yusuf os reconhece, mas eles não o reconhecem. Pede a eles que voltem novamente, dessa vez com o irmão mais novo, sem ele, não teriam o grão. Respondem que tentarão convencer o pai e obter sua permissão. Yusuf diz a seus servos para colocarem os bens que seus irmãos negociaram pelos grãos de volta em seus alforjes, para fazer com que ficassem ansiosos para retornar. Os irmãos pedem a Yaqub que os deixem levar o irmão mais novo, mas está desconfiado e pergunta: “Vou confiá-lo a vocês, como fiz com seu irmão antes?” Os irmãos abriram os alforjes e encontraram os bens devolvidos. Yaqub diz que não enviará o menino, a menos que os irmãos jurem que farão tudo humanamente possível para mantê-lo a salvo. Comprometeram-se e Jacó disse: “Nossas palavras são confiadas a Allah.”

Os irmãos retornam (versículos 67-76)

Yaqub aconselha seus filhos a não entrarem na cidade pelo mesmo portão como precaução, mas ao mesmo tempo diz que isso não os ajudará contra a vontade de Allah. Todo o poder está nas mãos de Allah, diz Yaqub. 

Os filhos de Yaqub se apresentam a Yusuf e ele chama seu irmão mais novo (Benjamim) para o canto e revela sua identidade. Yusuf dá aos seus irmãos a porção de grãos, mas coloca um cálice na mochila de seu irmão mais novo. Alguém avisa e acusa a caravana de roubo. “O que foi perdido?”, perguntam os irmãos. “O cálice do rei”, é a resposta e “quem a devolver receberá uma carga de camelo em grãos”. 

Os irmãos responderam que não tinham vindo para fazer intrigas. Os homens de Yusuf perguntaram aos irmãos qual a penalidade a ser aplicada, se fosse descoberto que estavam mentindo. Responderam: “A penalidade será a escravização da pessoa em cuja bolsa o cálice for encontrado: é assim que punimos malfeitores”. Yusuf não queria seu irmão punido sob as leis do Egito, mas queria a oportunidade de manter o irmão com ele enquanto os outros retornavam para o pai, Yaqub. As sacolas foram revistadas e o cálice foi encontrado nos pertences do irmão mais novo. Allah explica que elaborou um plano para Yusuf e elevará o status de quem Ele desejar.

Os irmãos se encontram com o pai (versículos 77-82)

Os irmãos aludem ao irmão de Benjamim (Yusuf) ser um ladrão, mas Yusuf se controla e não revela sua identidade. Os irmãos imploram que um deles possa ficar no lugar de Benjamim, mas isso é recusado. Finalmente o irmão mais velho, lembrando da promessa que fez ao pai, promete ficar no Egito até que Yaqub dê a ele permissão para partir ou que Allah decida um outro curso de ação. Os irmãos remanescentes voltam para o pai Yaqub dizendo: “Tentamos manter nossa promessa, mas não podíamos prever que seu filho cometeria roubo. Pergunte às pessoas com quem viajamos se precisar de prova.”

A paciência de Yaqub (versículos 83-86)

O pai disse: “Não! Suas almas os inspiraram a cometer um erro!” Voltou-se para eles dizendo: “Ai de mim! Meu sofrimento por Yusuf!”. Os olhos de Yaqub ficaram brancos de sofrimento (ele era cego) e os irmãos disseram: “Se não parar de pensar em Yusuf arruinará sua saúde ou até morrerá.” Disse: “Só exponho perante Allah o meu pesar e a minha angústia porque sei de Allah o que vós ignorais.” Quando essa nova tristeza tomou conta dele, sua primeira reação foi ser paciente. Sabia, sem nenhuma dúvida, que os assuntos de seus amados filhos mais novos eram controlados por Allah.

A generosidade de Yusuf (versículos 87-98)

Yaqub disse: “Meus filhos, vão e busquem notícias de Yusuf e seu irmão e não se desesperem da misericórdia de Allah – apenas descrentes se desesperam da misericórdia de Allah.” Então, eles se apresentaram perante Yusuf, ainda sem conhecerem sua verdadeira identidade. Explicaram que a desgraça tinha afligido sua família e pediram a Yusuf que fosse caridoso. Allah, disseram, recompensa os caridosos. Yusuf respondeu: “Sabeis, acaso, o que nesciamente fizerdes a Yusuf e ao seu irmão com a vossa ignorância?” Os irmãos ficaram atônitos e perguntaram se ele era Yusuf e ele respondeu: “Sou Yusuf”. Disseram que Allah realmente o tinha favorecido sobre todos e que estavam em erro. Yusuf respondeu que não haveria nenhuma repreensão a eles e que Allah os perdoasse.

Yusuf então lhes deu sua própria túnica dizendo que a colocassem sobre o rosto de seu pai e que tudo ficaria bem. Então, pediu que voltassem juntos. De volta em casa Yaqub dizia que podia sentir o cheiro de Yusuf e aqueles ao seu redor olhavam para ele com desdém, achando que tinha se perdido em uma antiga ilusão. Quando a túnica foi colocada sobre o rosto de Yaqub sua visão retornou e ele disse: “Não disse que tenho conhecimento de Allah que vocês não têm?” Os irmãos pediram ao pai que suplicasse a Allah para que Ele os perdoasse, e ele respondeu que seu Senhor era o Perdoador e o Misericordioso.

O encontro com Yusuf (versículos 99-101)

Mais tarde, quando toda a família se apresentou perante Yusuf, Yusuf se aproximou deles e deu-lhes as boas vindas, dizendo que, se Allah quisesse, ficariam a salvo. Todos se curvaram para Yusuf e ele comentou com seu pai que era o cumprimento do sonho que tinha tido há muito tempo. Yusuf disse que Allah tinha sido gracioso, depois que Shaitan semeou a discórdia entre ele e seus irmãos. Yusuf suplica a Allah reconhecendo suas bênçãos, pede para viver e morrer como muçulmano e ser unido aos virtuosos.

A história de Yusuf é uma lição para toda a humanidade. A paciência verdadeira e a habilidade de perdoar são características nobres, merecedoras de serem inculcadas.

Conclusão (versículos 102-111)

Isso conclui a história de Yusuf e nesse epílogo de 10 versículos Allah diz a Muhammad, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, que essa foi a história da qual ele não tinha conhecimento prévio e não estava presente quando os irmãos fizeram seus planos cruéis. Allah, então, conta a ele que não pode fazer as pessoas acreditarem, não importa o quanto deseje fazê-lo. Allah também menciona que Muhammad não pede recompensa e, ainda assim, as pessoas ignoram os sinais nos céus e na terra e só acreditam em Allah associando parceiros a Ele. Como podem estar tão seguras de que uma punição devastadora ou a Última Hora não chegará quando menos esperarem? As pessoas não veem as lições ao seu redor? Como podem viajar e ver os sinais do que acontece aos incrédulos e ainda assim não compreenderem? Não têm intelecto? Aqui está uma lição para os que compreendem, não é uma invenção. É uma confirmação da verdade e uma explicação para tudo (“tudo” se refere a história de Yusuf ou a religião como um todo, ou talvez ambos).

Nesse capítulo Allah estava aconselhando ao profeta Muhammad que a estrada podia ser longa e difícil, mas a vitória suprema pertence aos que são conscientes de Allah e têm paciência.

Fonte: Ibn Kathir, History of Prophets e Islam religion

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