Vai Contra a Modéstia da Muçulmana Oferecer-se em Casamento?

Vai Contra a Modéstia da Muçulmana Oferecer-se em Casamento?

No que diz respeito à ideia de uma mulher muçulmana oferecer-se em casamento a um homem piedoso, isso não contradiz a ideia de modéstia, desde que ele seja de confiança em relação ao seu compromisso religioso e atitude moral.


Foi narrado que Thabit al Banani disse: “Eu estava com Anas ibn Malik e uma filha dele estava com ele. Ele disse: ‘Uma mulher veio até ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e ofereceu-se em casamento a ele. Ela disse: ‘Ó Mensageiro de Allah, quer casar comigo?’. A filha de Anas disse: ‘Quão pouca era a sua modéstia. Que vergonha, que vergonha!’. Anas disse: ‘Ela era melhor do que tu; ela tinha afecção pelo o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), então ela ofereceu-se em casamento a ele.'” (Narrado por al-Bukhari, 4828)

O Imam al-Bukhari incluiu este hadith num capítulo que intitulou: “Uma mulher a oferecer-se em casamento a um homem piedoso”.

Al-Hafiz ibn Hajar disse:

“Ibn al-Munayyir disse em al-Hashiyah: Um dos pontos subtis do conhecimento de al-Bukhari é que ele, da história específica da mulher que se ofereceu em casamento ao Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), derivou um princípio geral; ele entendeu que é admissível para qualquer mulher oferecer-se em casamento a um homem piedoso cuja piedade ela admire, e se ele gostar dela ele poderá casar com ela desde que as condições do casamento sejam cumpridas.

Estes dois ahadith – o hadith de Sahl e o hadith de Anas, ambos mencionando a mulher que se ofereceu em casamento ao Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) – indicam que é admissível que uma mulher se ofereça em casamento a um homem, e o informe da sua afecção por ele, e não há nada de errado ao fazer isso. E aquele a quem uma mulher se oferece em casamento tem a opção de aceitar ou recusar, mas ele não tem de expressar a sua recusa logo, ao contrário, é suficiente para ele permanecer em silêncio.” (Fath al-Bari, 9/175)

Al-‘Ayni disse:

“As palavras de Anas à sua filha: “Ela é melhor do que tu” indicam que é admissível que uma mulher se ofereça em casamento a um homem piedoso, e informá-lo da sua afecção por causa da sua piedade e virtude, ou por causa do seu conhecimento e honra, ou por alguma característica de compromisso religioso, e não há nenhuma vergonha se ela faz isso, pelo contrário, isso é um sinal da sua virtude. A filha de Anas (que Allah esteja satisfeito com ele) olhou para o exterior (da situação) e ela não entendeu isso correctamente até que Anas disse: ‘Ela é melhor do que tu”. Quanto à mulher que se oferece em casamento a um homem por algum motivo mundano, isso é algo que é abominável ao extremo.” (‘Umdat al-Qari’ Sharh Sahih al-Bukhari, 20/113)

Mas é melhor que uma mulher informe o seu wali (guardião) sobre o seu desejo de se casar com um homem piedoso, que é digno de confiança em relação ao seu compromisso religioso e à sua atitude moral, sem contar ao homem directamente. Isto pode ser entendido a partir do que uma das duas mulheres disse, quando ela disse ao seu pai – sobre Mussa (Moisés, que a paz esteja com ele):

“Uma delas disse, então: ‘Ó meu pai, emprega-o, porque é o melhor que poderás empregar, pois é forte e confiável’” [Qur’an 28:26]

Al-Qurtubi disse:

“No que diz respeito às palavras de Allah:

“Disse (o pai): ‘Por certo, quero casar-te com uma das minhas filhas, com a condição de que me sirvas durante oito anos…’” [Qur’an 28:27]

Aqui, o pai ofereceu a sua filha em casamento ao homem. Este é um costume estabelecido através do qual o homem piedoso de Madyan ofereceu a sua filha em casamento a um homem piedoso dos Filhos de Israel, ‘Umar ibn al-Khattab ofereceu a sua filha Hafsah em casamento a Abu Bakr e ‘Uthman, e a mulher que se ofereceu em casamento ofereceu-se ao Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Por isso, é bom para um homem oferecer a sua parente, que está sob seu cuidado, em casamento, e para uma mulher oferecer-se em casamento a um homem piedoso, seguindo o exemplo dos salaf piedosos. Ibn ‘Umar disse: Quando Hafsah se tornou viúva (devido à morte do seu marido), ‘Umar disse a ‘Uthman: ‘Se quiseres, eu dar-te-ei a mão de Hafsah bint ‘Umar’. (Narrado por al-Bukhari, 4005)” (Tafseer al-Qurtubi, 13/271)

Mas deve-se notar que muito do que acontece hoje em dia, quando uma mulher gosta de um homem em particular, é o resultado de causas que são haram, como uma atitude negligente da parte da mulher em que ela fala com ele e se senta com ele. Uma pessoa que tem maus motivos pode tirar proveito de tal oferta para alcançar alguns dos seus objectivos. Portanto, temos de ter cuidado com isso e proteger a nossa honra de qualquer coisa que a possa manchar.

O Sheikh Dr. Khalid al-Mushayqih disse:

“Não há nada de errado com uma mulher deixar um homem saber disso em princípio, no entanto, a mulher não deve propor-se; pelo contrário, é melhor que isso seja feito através do seu wali (guardião) ou alguém que possa deixar o homem saber. Isto é indicado pelo facto de que ‘Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) ofereceu a sua filha Hafsah em casamento a Abu Bakr e ‘Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele).”

Conclusão

Quando uma mulher deseja casar-se com um homem por motivos religiosos, não mundanos, pode fazê-lo. No entanto, deverá adoptar uma atitude modesta ao fazê-lo. Directamente será permitido, mas indirectamente será melhor, visto que o costume entre os primeiros muçulmanos sempre foi ter um intermediário (wali) responsável pelo bem-estar da mulher.

Vemos também pelo exemplo da primeira pessoa a aceitar o Islam, Khadijah (que Allah esteja satisfeito com ela), que ela enviou alguém como intermediário para pedir em casamento ao Profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) em nome dela.

De qualquer forma, deixar o homem saber do seu desejo em casar-se com ele não significa ir directamente, em qualquer situação, e dizer-lhe mais do que a simples pergunta “quer casar-se comigo?”. E o wali deverá ter conhecimento disto desde o início para evitar potenciais problemas. O processo de casamento entre o pretendente e a mulher, se o homem concordar com a proposta da mesma, deve ser dirigido ao wali e não feito sem o conhecimento do mesmo, tal como qualquer interacção entre esse pretendente e a mulher não deverá acontecer até o pretendente falar com o wali e fazer um acordo.

Fontes utilizadas: IslamQA

O Islam e a Mulher