Mulheres Muçulmanas na História

Mulheres Muçulmanas na História

Muitas foram as mulheres que representaram papéis importantes na história do Islam. A seguir citaremos nove das mais de oito mil personalidades femininas que figuram nos registros históricos:


1) Hajar, a esposa de Ibrahim, alaihi salam, como uma mulher de grande destaque na história das religiões monoteístas. Ela é completamente ignorada ou caluniada no cristianismo e judaísmo, mas, no Islam, ela é lembrada com louvores, pois foi Hajar que fundou alguns dos ritos do hajj. Ibrahim viajou com Hajar e o pequeno filho deles, Ismail, para o deserto da península arábica e a intenção era deixa-los lá e retornar para seu povo. E realmente, eles chegaram em Makkah e Ibrahim partiu, deixando-a só e apreensiva, apesar de que sua conduta foi impecável. Ela se manteve calma e resignada e encarou seu papel com muita coragem e determinação. 
Ela perguntou:
Ó Ibrahim! Onde vais, deixando-nos neste vale estéril, vazio?
Ibrahim não se virou para olhá-la, embora ela insistisse na pergunta. Finalmente ela perguntou
“Foi Allah quem vos ordenou a fazer isso?”
Ibrahim disse: “Sim, Ele me ordenou.” O coração dela se acalmou e ela disse: “Então, Allah certamente jamais nos negligenciará.”
Sua convicção e fé foram tão transparentes que Ibrahim até se sentiu mais confortável para deixa-los lá e executar a tarefa que Allah swt havia lhe ordenado. Embora Hajar tivesse muita fé em Allah, ela não era acomodada e, foi assim, que ela, quando sua água acabou, não sucumbiu ao desespero e suportou uma situação que muitos homens não conseguiriam suportar. Ela decidiu explorar o vale e caminhou até as montanhas próximas, escalou a montanha Safa para ter uma visão melhor do vale, não viu nada, desceu e subiu Marwa, uma outra montanha do outro lado do vale, com a esperança que houvesse algo do outro lado. Não havia nada, mas ela repetiu esse processo por sete vezes, na esperança que avistasse alguma caravana ou algum viajante. Quando ela desceu de Safa pela sétima vez, exausta e colocou seu filho Ismail no chão, ela percebeu que havia água jorrando do chão. 
Ela e seu filho fixaram residência naquela cidade e assim, uma mulher, disposta a tudo por sua fé, iniciou a história de uma nação. Hoje, Hajar é lembrada todos os anos, por centenas de milhares de peregrinos, que executam os ritos de adoração do hajj, al Bukhari relatou “e é por isso que as pessoas vão de um lado para outro entre Safa e Marwa”.

2) Khadija Bint Khuwailid: não podemos deixar de falar dela, a primeira pessoa a abraçar o Islam. Ela nasceu 68 anos antes da hijrah e era conhecida por seu recato, inteligência e firmeza, e intitulada “pura”, pelo seu povo, na época da ignorância. Ela era uma comerciante e lidava com homens, em posição importante e ocupando um nível hierárquico mais elevado que a maioria dos homens com quem negociava. Ela quem tomou a iniciativa de sugerir casamento ao Profeta, saws; ela foi a primeira pessoa que o Profeta procurou quando recebeu a revelação, para buscar conforto e apoio e foi ela quem alimentou e sustentou os muçulmanos, através de suas próprias riquezas, quando os Quraish decidiram boicotar e exilar os muçulmanos, privando-os de seus bens e trabalhos.

3) Aisha Bint Abu Bakr: nasceu no ano de 613, três anos após Muhammad, saws, receber a sua primeira revelação. Era filha do amigo mais próximo do Profeta, Abu Bakr. O profeta faleceu no quarto de Aisha, em seus braços e ela ainda viveu mais 47 anos após a morte dele. Até o khilafa de Umar, raa, ela se manteve mais silenciosa, politicamente falando, porém, a partir do khilafa de Uthman ela se pronunciou mais e até se opôs a algumas decisões políticas. Aisha foi uma mulher muito importante na primeira geração dos muçulmanos, ela relatou inúmeros ahadith, tinha uma memória prodigiosa, era extremamente inteligente e eloquente, conhecia a fundo astronomia, medicina, jurisprudência islâmica e outras ciências. Ela dava aulas para homens e também era procurada para dar pareceres sobre assuntos da jurisprudência. Houve, inclusive, uma passagem histórica, na transição do khilafa de Uthman para o de Ali, quando do assassinato de Uthman, e por razão de uma conspiração contra os muçulmanos, que Aisha juntou um exército e o liderou numa batalha que foi conhecida como a batalha do Camelo. Esta é uma história que merece um certo tempo para ser narrada, porque tem muitos pormenores, e não entraremos em detalhes agora… se quiserem, posso falar sobre isso depois, inshallah. Ela também amava poesia, uma coisa que é típica dos árabes (amor pela literatura e poesia) e incentivava que as mulheres ensinassem poesias às suas crianças. Não tenho nenhum pudor em afirmar que Aisha, raa, foi uma erudita, uma mulher excepcional, inteligentíssima, vanguardista, corajosa e muito perspicaz. Há muitas histórias relatadas em ahadith, e inclusive ela é mencionada no Alcorão (pela situação da sua suposta traição), poderíamos falar sobre ela por dias…

4) Fatima al-Fihri: era conhecida como Umm Albanin. Ela foi a fundadora da primeira universidade que existiu no mundo, al já’miah al qarawayin. Ela e sua irmã, aproveitando a herança que haviam recebido de seus pais, fundaram esta instituição de ensino superior e uma mesquita em 859, no Marrocos. Esta universidade ainda existe e funciona. Nela são estudadas, além da teologia e jurisprudência islâmica, diversas ciências como: medicina, gramática, astronomia, física, história, química, geografia, matemática, ciências naturais, língua estrangeira…

5) Anastácia: ficou conhecida como Khaski Kosem. Ela nasceu na Grécia no ano hijri de 999, algumas fontes afirmam que seu local de nascimento foi a Bósnia. Anastácia foi enviada pelo governador bósnio à Istambul, capital do império Otomano e se reverteu ao Islam e seu nome mudou para Kosem. O sultão Ahmad I (1012 a 1026) casou-se com ela e ela se transformou na sultana mais famosa e poderosa da história dos otomanos, apenas com 15 anos de idade. Aos 28 anos ela já possuía uma cadeira no sultanato, pois administrava as sessões da corte e tinha um papel essencial no governo. Ela ficou também muito conhecida pelos seus trabalhos beneficentes: durante o mês de sha’ban de cada ano ela visitava o presídio, pagava as dívidas dos sentenciados que haviam sido condenados por seus débitos e os libertava da prisão. Ela também circulava entre os pobres e ajudava os muçulmanos de Makkah e Madinah.

6) Fatimah al-Mujritiyah: viveu entre os séculos 10 e 11 e foi uma grande astrônoma e matemática, seguindo os passos de seu pai, em andaluzia. Ela trabalhou com seu pai na edição das tabelas astronômicas de algoritmos, que existem até hoje, em Madri. Também escreveram juntos um livro sobre os astrolábios, posteriormente ela escreveu livros individualmente e eles ficaram conhecidos como “correções de Fatimah”. Ela é conhecida no ocidente como a primeira astrônoma da Espanha.

7) Tajuat Najak Din: ela era indonésia, e morreu mártir após perder o pai, seu primeiro e segundo maridos, também mártires inshallah. Mesmo depois de suas perdas, ela não deixou o jihad, pelo contrário, liderou os mujahidin contra a ocupação holandesa, ficando assim conhecida como “rainha do jihad”. Ela quem organizava e liderava operações militares e não pode ser capturada até sua velhice, quando já estava sem visão e debilitada por doenças reumáticas. Quando foi capturada conseguiu esfaquear um dos soldados e depois foi exilada em uma aldeia remota que possuía um idioma que ela desconhecia. Por algum tempo ela permaneceu nesta aldeia sem comunicação, até que descobriram que ela recitava lindamente o Quran e possuía proficiência em tajwid, assim ela começou a ensinar o alcorão e faleceu algum tempo depois, com o título de rainha do jihad e do Quran.

8) Thamil al-Kahramanah: conhecida como Umm Mussa, foi a primeira juíza da história do Islam. Ela era aia da mãe do khalifa Omar al-Muktader, que assumiu o khilafa abássida com apenas 13 anos. Por esta razão, sua mãe, Shagab, aproveitou a pouca idade do filho khalifa para intervir nos assuntos de Estado e expandir sua autoridade. Ela contava com a influência de outras senhoras, uma delas, Thamil, sua serva, por isso ela ficou conhecida como Thamil al-Kahramanah, a mordoma. Shagab ordenou que Thamil ficasse na “casa das reclamações”, no bairro de Ar-Risaffa, em Bagdá, no ano 306 hijri. Ela ocupava um cargo que representaria o judiciário, Thamil verificava as queixas escritas pelas pessoas, todas as sextas-feiras, depois julgava e dava sua sentença. O juiz Aba Hasan al-Ashnani foi quem a ajudou a superar a rejeição das pessoas, por ela ser a primeira juíza da história. Houve divergência de opiniões quanto à sua atuação, entretanto, ela ocupou o cargo de juíza por quatro anos e pouco depois de sua exoneração, ela faleceu.

9) Umm al-Fadhil al-Baghdadiyah: conhecida como a escritora de Bagdá. Também viveu no khilafa abássida, no Iraque. Seu nome, Fatimah bint al-Hasan Ali al-Attar, era famosa por sua maestria na caligrafia, sendo referência e parâmetro de imitação no mundo todo, em todos os tempos. Sua oratória era tão maravilhosa que o khalifa Al-Muktader al-Abasi, quando enviou uma carta ao imperador bizantino, solicitando trégua entre os dois impérios, ela pediu que ela a escrevesse.

Trecho da palestra de Letícia de Paula: clique aqui para assistir.

O Islam e a Mulher