Coronavírus: praticando o Islam em meio à pandemia

Coronavírus: praticando o Islam em meio à pandemia

A pandemia do covid-19 interrompeu a vida social e econômica em todo o mundo. Mas, no Oriente Médio, as autoridades associaram decretos religiosos (fatawa) a conselhos de saúde pública para conter o surto e guiar os muçulmanos em geral.


Enquanto as autoridades de saúde pública lutam para conter uma pandemia devastadora, líderes religiosos e instituições estatais em todo o Oriente Médio adotaram medidas extraordinárias para guiar os muçulmanos em tempos de muitas incertezas, com o intuito de impedir a propagação do novo coronavírus.

No Kuwait, o chamado à oração foi alterado para incentivar os fiéis a rezarem em suas casas, uma prática histórica reservada apenas para ocasiões específicas e raras.
 

O adhan (chamado à oração) feito no Kuwait, agora diz aos muçulmanos para rezarem em casa devido à disseminação do coronavírus. Em vez de “Hayya ‘ala al-Salah” (vinde à oração), o muadhin diz “al-Salatu fi buyutikum” (orai em vossas casas). Isso foi feito na época do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) durante fortes chuvas e ventos. (informação retirada de um vídeo publicado em: https://twitter.com/5Pillars)
 

Embora as autoridades civis e religiosas tenham adotado medidas variadas para conter o surto, a mensagem quase sempre foi a mesma: fique em casa, evite o contato social e lave as mãos regularmente.
 

“Os muçulmanos não são diferentes de ninguém”, disse Rose Aslan, professora assistente de religião da Universidade Luterana da Califórnia. “A maioria dos muçulmanos no mundo é pragmática e permanece em casa, como todo mundo.”

“A limpeza faz parte dos ensinamentos do Islam”
 

Para muitas autoridades, a pandemia tem sido um exercício de união de éditos religiosos com bons conselhos de saúde pública.
Por exemplo, nos Emirados Árabes Unidos, o conselho encarregado de assuntos religiosos emitiu uma fatwah – um decreto legislativo sobre jurisprudência islâmica – que iguala a adesão às diretrizes de saúde pública aos deveres religiosos.
 

“É uma obrigação religiosa a todos os segmentos da sociedade a adesão estrita a quaisquer diretrizes e regulamentos de saúde pública fornecidos pelas agências estatais legais, bem como tomar todas as medidas necessárias para impedir a transmissão e a propagação da doença”, é dito na fatwah. Isso inclui lavar as mãos com água e sabão frequentemente, pois a limpeza faz parte dos ensinamentos do Islam.

Reportando ao passado
 

Embora os líderes religiosos tenham fornecido orientação para enfrentar as difíceis circunstâncias provocadas pela pandemia, o fechamento de mesquitas – ou centros comunitários para os muçulmanos – representou, para muitos, a parte mais desafiadora de se lidar com o surto.
 

Mas houve precedentes. Com base na herança intelectual dos sábios muçulmanos, os líderes religiosos ofereceram uma perspectiva histórica para justificar o fechamento de mesquitas.
 

“Como estamos em uma situação muito crítica, recorreu-se a sábios islâmicos predecessores que falaram sobre o que os muçulmanos fizeram durante tempos de praga no passado”, disse Aslan. “Eles estão se reportando a estes estudiosos para ver

como eles reagiram e o que aconselharam à sua época e associando isso ao conhecimento atual em saúde pública”.
De muitas maneiras, situando essas decisões na perspectiva histórica, proporcionou conforto aos muçulmanos que veem com reverência sua obrigação em participar da oração congregacional na sexta-feira.

Preparando-se para o futuro
 

Mas outros desafios permanecem. Com o Ramadan, o período mais sagrado do Islam, marcado para começar no fim deste mês (abril), não está claro como as comunidades muçulmanas irão se comportar diante das restrições. Mas discussões preliminares produziram ideias inovadoras para lidar com esses tempos, incluindo a quebra de jejum virtualmente.
 

“Esta é uma época do ano realmente importante para os muçulmanos quebrarem juntos o jejum, repartirem o pão com outras pessoas e rezarem juntos em orações congregacionais muito intensas e emocionais”, disse Aslan.
 

“Então, vai ser estranho repartir o pão virtualmente com outras pessoas. Algumas pessoas têm a sorte de ficar em quarentena com famílias numerosas, enquanto outras estão sozinhas, mas isso realmente vai diferir de lar para lar.”

Adaptação da fonte: https://www.dw.com/

O Islam e a Saúde