Tahara – Purificação

Tahara – Purificação

Livro da Purificação

É composto por duas partes:

  • Primeira parte: Regras da Purificação e das águas; que, por sua vez, deve ser compreendida através de várias questões.

Primeira Questão: Definição da Purificação, sua importância e suas divisões


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1-    Importância da Purificação e suas divisões. A Purificação é a chave da Oração e é considerada a mais forte das suas condições. E, por norma, as condições antecedem ao condicional.

A Purificação se divide em duas seções:

  • Primeira seção: Purificação Moral, que é a purificação do coração da idolatria, dos pecados e de tudo que encaminha para tal. Esta purificação moral é mais importante que a purificação corporal. E é impossível concretizar a purificação corporal com a existência da imundície da idolatria. Diz Allah Taala: “Os idólatras não são senão imundície” (Tauba, 9:28)
  • Segunda seção: Purificação Sensorial. Virão seus detalhes nas alíneas que se seguem:

2-    Sua contextualização lingüística: Limpeza, abstenção às impurezas.

Na definição convencional, significa: Remoção da Impureza Interior e da Impureza Exterior[1].

O significado de remoção da Impureza Interior: entende-se como sendo a remoção de tudo o que possa inibir a prática da Oração; usando a água em todas as partes do corpo (banho). No caso de a impureza interior ser maior, ou no caso dela ser menor é suficiente fazer ablução acompanhada da intenção. Na inexistência da água ou caso haja dificuldade na sua obtenção, usa-se o que a representa, que é o solo (terra limpa), de acordo com a orientação religiosa (islâmica). Observe a citação na parte do Tayammum, se Allah quiser.

E o significado de remoção da Impureza exterior é entendido como sendo a remoção da imundície que é acumulada no corpo, roupas e/ou local onde desejamos praticar a oração.

            A Purificação Sensorial se divide em dois tipos:

1-    Purificação Interior: que compreende a parte interior do corpo (local de saída dos excrementos e órgãos genitais).

2-    Purificação Exterior: que compreende a parte exterior ao longo do corpo, roupas e local onde pretendemos praticar a oração.

E a Impureza Interior subdivide-se em dois tipos:

Primeiro Tipo: Impureza Interior menor (urina, excreções), que se remove por meio de ablução.

Segundo Tipo: Impureza Interior maior (relações sexuais), que se remove por meio do banho.

Por sua vez, a Impureza Exterior subdivide-se em três tipos:

Primeiro Tipo : Impureza Exterior que para sua remoção exige o banho.

Segundo Tipo : Impureza Exterior que para a sua remoção basta a fricção da região suja (esfregando esta parte atingida pela impureza).

Terceiro Tipo : Impureza Exterior que para sua remoção basta raspar a parte suja, removendo assim, com os dedos aquela impureza.

Segunda Questão : A água pela qual se obtém a purificação.

A Purificação necessita de meios para que seja atingida, e que, através destes meios, remova-se a impureza exterior e interior. Tal meio é a água.

A água pela qual se obtém a purificação é a água pura, isto é: é pura por si mesma e purifica outras coisas. Esta água, que se encontra na sua forma natural; ou seja, permanecendo com todas as propriedades de sua natureza (inodora, incolor e insípida) – seja ela caída do Céu em forma de chuvas, água liquidificada, orvalho ou águas correntes sobre solo, como, por exemplo, as águas dos rios, nascentes, lagos e mares. Diz Allah Taala: “e fez descer sobre vós água do céu, para com ela purificar-vos” (Anfal, 8:11) e, diz também Allah Taala: “E do céu fazemos descer a água pura” (Furqan, 25:48).

E, conforme diz o profeta Muhammad (SAW): “Senhor nosso, lave as minhas falhas com a água, com a neve e com o orvalho[2]” e, diz ainda o Mensageiro Muhammad (SAW) acerca da água do mar :” a sua água é pura e seu cadáver é lícito[3]”.

A Purificação não é obtida usando-se outro líquido além da água, como por exemplo: o vinagre, combustível, sucos, limão e tudo o que se assemelha a estas substâncias. Conforme diz Allah Taala: “se não encontrais água, dirigi-vos a uma superfície pura” (Maida, 5: 6). Se a Purificação fosse obtida através de algum outro líquido, que não a água, mais viável seria, àquele que não a possui, o uso de tal líquido, e não o uso do solo.

Terceira Questão :  A imundície quando se mistura à Água

Quando a água é misturada a outra substância, mudando uma das suas propriedades, é considerada suja, pela unanimidade dos peritos na matéria. Então, o seu uso não é permitido, pois esta água não remove a impureza interior e nem a exterior, seja ela (água) em qualquer quantidade.

E, se por acaso, a sujeira se mistura à água sem alterar nenhuma das suas três propriedades, esta não se torna imprópria se for em maior quantidade. Pode-se obter a Purificação com o seu uso. Caso seja em menor quantidade, torna-se imunda e não se obtém, com o seu uso, a Purificação.

            A maior quantidade referida no trecho anterior é quando atinge o Kullatain[4] (a porção de cerca de 160.5 litros de água) ou mais. E a menor quantidade é aquela quantidade inferior a isto.

E as evidências para tal são:

  • Hadith de Abi Said Al Khudri, que Allah esteja satisfeito com ele: diz o Mensageiro de Allah(SAW) disse: “ por certo que a água é pura e nada a torna imunda[5]”.
  • Hadith de Ibn Omar, que Allah esteja satifeito com eles os dois. O Profeta de Allah (SAW) disse: “Quando a água atinge kullatain (160.5ml) não se torna imunda[6]”.

Quarta Questão :  Algo Puro quando se mistura a água

Algo Puro quando se mistura a água como, por exemplo: as folhas das árvores, sabão, ashnan[7], maçaniqueira[8] ou ainda outras substâncias puras, estas não modificam as propriedades da água. A realidade é que este tipo de água continua pura e é permitido o seu uso para fins de purificação da impureza interna (Hadath) e da impureza externa (Khabath). Porque Allah Taala diz: “E se estais enfermos ou em viajem ou se um de vós chega de onde se faz as necessidades ou se haveis tocado as mulheres e não encontrais água, dirigi-vos a uma superfície pura, tocai-a com as mãos e roçai as faces e os braços, à guisa de ablução” (Nissá, 4:43). A palavra água no versículo encontra-se numa forma indeterminada, com isso abrange todo o tipo de água.

Não existe diferença entre a água pura e a mesclada (misturada), conforme o dito do Mensageiro de Allah (SAW) para aquelas mulheres que tratavam o cadáver de sua filha “lavem-na três vezes ou cinco ou mais que isso, caso seja necessário, com água e maçaniqueira e ponham, na última vez, o kafura ou algo de kafura[9]”.

Quinta Questão : Regras da água usada na purificação

A água usada na purificação, como por exemplo: a água que escorre ou cai dos membros de quem faz a ablução ou de quem toma banho, é pura por si mesma e purifica outras coisas, removendo a impureza interior e a impureza exterior, desde que não tenha sido modificada nenhuma de suas propriedades. E a evidência de sua pureza é: “Quando o Profeta (SAW) fazia ablução, seus companheiros disputavam para o uso da água que caía dos seus membros de ablução[10]”. E ainda, o Profeta de Allah (SAW), “fez  transbordar em Jabir (que Allah esteja satisfeito com ele) a água que escorria dos seus membros abluídos, quando Jabir esteve doente[11]”, se esta água fosse impura não seria permitido o seu uso. O Profeta de Allah (SAW), seus companheiros e suas esposas usavam recipientes para a da ablução e o banho e, desta forma, parte da água usada retornava ao recipiente. Conforme o dito do Profeta de Allah (SAW) ao Abi Huraira, quando esteve no estado de impureza maior (junubun), “Na verdade o crente nunca fica imundo[12]”. E, considerando tudo isso, a água nunca perde sua pureza por um simples toque.

Sexta Questão : Restos das águas usadas pelos Humanos e Rebanhos

Resto: é tudo aquilo que resta no recipiente depois de bebido. O ser humano é puro, portanto o que resta de sua bebida também é puro, seja ele muçulmano ou não, esteja na condição de impureza maior ou durante o período menstrual. Consta que o Mensageiro de Allah (SAW) disse: “O crente nunca fica imundo[13]”. É narrado por Aicha, que Allah esteja satisfeito com ela, que ela bebia de um recipiente quando estava menstruada, depois o Profeta (SAW) usava mesmo recipiente, colocando sua boca no mesmo local onde Aicha colocara a sua[14].

Os peritos da matéria são unânimes sobre a pureza dos restos daqueles animais cuja carne é comestível (lícita), seus restos são puros.

Quanto aos animais cuja carne não é comestível (ilícita); como por exemplo: os animais carnívoros, o burro e outros, o seu resto é puro e não provoca nenhum efeito de impureza na água quando esta se encontra em uma maior quantidade. E se porventura a água se encontre em menor quantidade e perde alguma das suas propriedades por causa do consumo do tal animal, então esta água se torna impura. As evidências para tal são:

O Profeta Muhammad (SAW) foi questionado acerca da água deixada pelo rebanho e pelos animais carnívoros e respondeu com o Hadith citado acima: “quando a água atinge kullatain (cerca de 160.5l de água) não se torna imunda”. Foi dito, ainda, pelo Profeta Muhammad (SAW), acerca do gato quando bebe a água num recipiente (que nós usamos): “eles não são impuros, somente circundantes sobre vós[15]”. Isto porque é difícil abster-se da presença do gato na maior parte dos casos, e se disséssemos que o seu resto é impuro ou se obrigássemos a purificação dos recipientes, então, haveria uma grande dificuldade, mas esta (dificuldade) foi eximida desta nação.

            E quanto ao resto do cão é imundo sob quaisquer circunstâncias e o do porco também.

Quanto ao cão, é narrado por Abi Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) que o Mensageiro de Allah (SAW) disse: “é purificado o recipiente de um de vós quando o cão bebe nele lavando-o sete vezes, sendo a primeira delas com o solo (terra)[16].

E quanto ao porco e sua imundície e sujeira, Allah Taala diz: “pois é por certo a abominação” (An’am, 6:145)

Notas de Rodapé:

[1] A impureza interior é uma imundície que se estabelece no corpo, que impede a prática da Oração. A purificação é condicionada à sua remoção. A impureza interior se divide em dois tipos: A Menor, que se estabelece nos membros de ablução e que, para sua remoção, basta a ablução (limpeza dos órgãos responsáveis pela saída da urina e fezes). A Maior, que se estabelece ao longo do corpo; como, por exemplo, a impureza maior (janabah), impureza esta que se remove através do banho, e com isto, conclui-se que a remoção da impureza interior maior necessita banho. Já, para a remoção da menor basta a ablução. Estas duas purificações são substituídas pelo tayammum (uso do solo, terra limpa), em casos de impossibilidades no uso da ablução normal, com água. Ver: sherh mumti (1\19), al fiqh al islam wa adillatuh (1\238)

[2] Relatado por Al Bukhari (744) e Muslim (594)

[3] Relatado por Abu Daud (83) , Tirmidhi  (69),Nassai (59) e Ibn Majah (3246), disse Tirmidhi:  hadice  bom e autêntico; e autenticou, também,  Al Albani (sahihi sunani Nassai-58)

[4] Kullat é jarro – e o seu plural é Kulal ou Kilál , que é uma porção de água de aproximadamente 80 litros.

[5] Relatado por Ahmad no seu musnad (3\15), Abu Daud no livro da pureza na parte do poço de bidhah (61), Nassai no livro das águas (277), Tirmidhi no livro da pureza, na parte: nada torna a água impura (66) e Tirmidhi o classificou como bom e autêntico, também autenticou-o Al Albani no al irwah(1\45)

[6] Relatado por Ahmad (2\27), Abu Daud, na parte: o que torna a água impura (63),Tirmidhi no livro de pureza, na parte: nada torna a água impura (67), Nassai no livro da pureza (52), Ibn Majah no livro da pureza parte: quantidade de água que não se torna impura (517), autenticado por Al Albani no al irwah (1\45)

[7] Palavra transliterada do árabe, é uma substância azeda, usa-se para lavar as mãos.

[8] Esta é uma árvore, cujo nome científico é: Cupania racemosa

[9] Relatado por Al Bukhari (1253,1258,1259) e Muslim (939)

[10] Relatado por Al Bukhari (189)

[11] Relatado por Al Bukhari (5651) e Muslim (1616)

[12] Relatado por Muslim (371)

[13] Relatado por Muslim (371)

[14] Relatado por Muslim (300)

[15] Relatdo por Ahmad (5\296), Abu Daud (75), Tirmidh (92) e autenticado por Al Albani (Al Irwah- 23)

[16] Relatado por Al Bukhari (172) e Muslim (279) – 91

Tradução do Livro Fiqh al muyassar

Salah e Tahara