Amor de Deus

Amor de Deus

Muitos cristãos tentam deitar abaixo, ou culpam o Islam, dizendo que Allah não mostra qualquer amor pelos seus servos.


E alguns muçulmanos que nunca pesquisaram bem a sua religião também caíram nesta contradição, ficando confusos.

Pois bem, esta alegação não podia estar mais longe da verdade. Há versos no Alcorão e evidências na Sunnah que provam que Allah nos ama e quer o melhor para nós nesta vida e na próxima. [Recomendamos ao leitor não-muçulmano que leia o artigo sobre o porquê de chamar Deus “Allah”]

Como os cristãos dizem “Deus ama o pecador, mas odeia o pecado”. Isto também se aplica no Islam.

“O Amabilíssimo” é um dos nomes que Allah tem como Ele nos diz no Alcorão:

“E Ele é o Remissório, o Amabilíssimo” [85:14]

“Amor” é apenas uma palavra, que tem que ser traduzida em acção tornando-se obediência, no caso da Sua criação, seres humanos, ou misericórdia, no caso do Criador, Allah. Podemos ver que quando o amor é traduzido para acção este torna-se misericórdia, e a Misericórdia d’Ele é incondicional. Nós recebemos a misericórdia de Allah ao sermos obedientes a Allah. Um pagão, idólatra ou pecador. Todos estes tipos de pessoas recebem o mesmo tratamento nesta vida.

Alguns exemplos:

– Um homem diz à sua mulher “amo-te” mas ele bate-lhe e não lhe dá dinheiro para a sustentar. Será que ele a ama realmente?

– Uma mulher diz ao seu marido “amo-te” mas quando ele quer algum afecto da parte dela, ela recusa-se. Será que ela o ama mesmo?

– Uma criança diz aos seus pais “amo-vos” mas ela é desobediente a maior parte do tempo e atormenta-os. Será que ela os ama?

O amor tem que ser traduzido em acção, atitude e comportamento, senão é apenas uma palavra sem significado. De forma semelhante, o amor de Allah é traduzido nos Seus Atributos de perdão, compaixão e misericórdia.

Lendo o Alcorão, deparamo-nos com a misericórdia de Allah em muitos versos. O primeiro verso a ser recitado antes de quase todos os capítulos do Alcorão é “Bismillah Al-Rahman Al-Rahim” que em português significa “Em Nome de Deus, O Clemente, o Misericordioso”.

Allah é Al-Rahim para toda a humanidade seja qual for a sua crença em Allah ou o seu carácter, se acreditam em Allah ou não. Sejam pessoas que praticam o bem ou o mal. Todas elas obtêm o seu sustento de Allah. Muitas pessoas más são muito ricas porque Allah decidiu dar-lhes toda a riqueza e outras coisas boas desta vida. Isto é porque Allah é Al-Rahim.

Allah também é Al-Rahman para os crentes n’Ele. Eles são pessoas que praticam o bem. Eles recebem bênçãos especiais de Allah, que é felicidade e contentamento nesta vida e recompensa na próxima.

No que toca à próxima vida, o assunto é diferente. O conceito cristão de Deus é um Deus sem misericórdia. Ele castiga os que são sem pecado, como Jesus, pelo mal feito pelos outros. O Deus cristão é sem poder para perdoar pecados e aceitar arrependimento. Ele faz a humanidade inteira como pecadora pelo pecado de um casal, Adão e Eva. O Deus cristão é incapaz de perdoar o pecado de um casal, mas faz todos os descendentes desse casal como pecadores. Para perdoar os seus pecados Ele tem que inventar uma charada para trazer o “Seu filho” que é sem pecado e matá-lo sem ele ter qualquer culpa. Isto é um Deus cruel e um Deus assumido como pagão, não o Único Deus Verdadeiro.

Na Bíblia encontra-se o verso:

“Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o Seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que nele crê não se perca, mas tenha a vida eterna.” (São João 3:16)

O inverso desta afirmação é que o resto da humanidade perecerá, ou seja, vão para o Inferno, sem qualquer outra forma de receber o Seu perdão, por um pecado que não cometeram. O que acontece às pessoas que nasceram e morreram antes de Deus decidir inventar esta charada só há apenas 2000 anos atrás? Parece que o Deus cristão é um mau planeador e um pensador tardio porque levou milhares, senão milhões de anos para arranjar uma maneira de perdoar “os pecados” da humanidade. O que acontece àqueles que nunca receberam a mensagem de Jesus até esta ser totalmente corrupta pelos “cristãos”, tornando-se ilógica e inaceitável?

No Alcorão, Allah diz que Ele não ama aqueles que O rejeitam (3:32), não ama aqueles que são transgressores (2:57, 5:87, 7:55), não ama aqueles que vivem do mal (5:64), não ama aqueles que dizem palavras maldosas (4;148) e outros. Em todos estes casos o amor é ligado às acções de uma pessoa. Ao mesmo tempo, Allah não os priva de nada nesta vida. Nós vemos que nem todas as pessoas boas são ricas e que nem todos os pecadores vivem em pobreza com uma vida miserável. Allah dá a uma pessoa uma oportunidade de vida para se afastar de uma vida de pecado e desobediência e para receber o Seu perdão.

Também, Allah diz:

“Dize: Se verdadeiramente amais a Deus, segui-me (Muhammad); Deus vos amará e perdoará as vossas faltas, porque Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo” [3:31]

Se amarmos Allah, devemos mostrá-lo na nossa conduta e obedecê-Lo e ao Seu Mensageiro, porque a obediência ao Mensageiro é obediência a Allah (4:80). O que quer dizer que o nosso amor é expresso pela obediência.

Vejamos o que Allah também diz no Alcorão:

“Dize: Ó servos meus, que se excederam contra si próprios, não desespereis da misericórdia de Deus; certamente, Ele perdoa todos os pecados, porque Ele é o Indulgente, o Misericordiosíssimo. E voltai, contritos, porque, então, não sereis socorridos. E observai o melhor do que, de vosso Senhor, vos foi revelado, antes que vos açoite o castigo, subitamente, sem o perceberdes. Antes que qualquer alma diga: Ai de mim por ter-me descuidado (das minhas obrigações) para com Deus, posto que fui um dos escarnecedores! Ou diga: Se Deus me tivesse encaminhado, contar-me-ia entre os tementes! Ou diga, quando vir o castigo: Se pudesse Ter outra chance, seria, então, um dos benfeitores!” [39:53-58]

Aqui a mensagem é que aqueles que praticam o mal estão errados e estão a magoar-se a si próprios nesta vida e na próxima. No entanto, o perdão de Allah não tem limites e a única condição é pedir por perdão e arrepender-se (não praticando o mesmo mal depois).

Artigo elaborado com consulta aos trabalhos do Dr. M. Amir Ali, Ph.D.

Introdução