Haya’: Mais do que Apenas Modéstia (Parte 2)

Haya’: Mais do que Apenas Modéstia (Parte 2)

Por Shaikh Mohammad Elshinawy

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Hayaʾ no Islam

O Islam nos chama a reavivar nossa bússola interna e proteger nosso senso de respeito próprio, acentuando nossa hayaʾ e amplificando-a com taqwah (temor consciente por Allah). Valida o medo de nos sentirmos inadequados como um incentivo que pode nos iniciar na jornada para a piedade. A partir daí, a adoração e o amor a Allah são cultivados para imunizar uma pessoa de tudo que possa prejudicar sua posição ante Ele. Hayaʾ, portanto, constitui a primeira camada de proteção moral, aquela que nos veste contra os elementos de indecência ao nosso redor. Taqwah é a segunda camada, uma atualização conquistada pela haya’, que a reforça ainda mais para o crente. Com relação às palavras de Allah, “A vestimenta da taqwah – essa é a melhor”, Sufian bin ʿUyainah disse: “Hayaʾ é a forma mais elementar de taqwah, e o servo não teme [Allah] até que primeiro experimente a vergonha. De que outra forma o piedoso alcançou a piedade, exceto por meio da hayaʾ?”


O Alcorão tem em alta estima a hayaʾ e aqueles que a possuem. Por exemplo, Allah mostra para nós no Alcorão como Mussa ajudou as mulheres desfavorecidas no poço de Madian, e então imediatamente “foi para a sombra” (al-Qaṣaṣ 28:24) sem se socializar com elas ou solicitar pagamento por seu serviço. Tais comportamentos foram evitados por sua hayaʾ, pois o primeiro é contrário ao decoro e o segundo ao cavalheirismo.

Alguns versículos depois, Allah diz: “Em seguida, uma das duas mulheres chegou-lhe andando com recato. Disse: “Por certo, meu pai te convoca, para recompensar-te com o prêmio de haveres abeberado os rebanhos, por nós.” (Al-Qaṣaṣ 28:25)

Muitos estudiosos de tafsir explicam que este versículo foi claramente estruturado para celebrar a multifacetada hayaʾ dessa mulher. Para explicar, com base na escolha de um recitador em onde se deve fazer uma pausa neste versículo e de onde retomar, o termo hayaʾ poderia descrever seu caminhar (andar com hayaʾ) ou sua voz (com hayaʾ, ela disse). Além disso, fez questão de deixar claro que não o estava convidando ela mesma, mas apenas como uma enviada de seu pai, cuja velhice o impedia de fazer o convite pessoalmente.

A hayaʾ é tão valorizada na Sunnah que exceções foram feitas em algumas de suas leis mais firmes por consideração a isto. A oficialização do casamento, por exemplo, é tratada com bastante sensibilidade no Islam. Por não haver espaço para ambiguidade em tal acordo, os juristas concordam que apenas uma declaração verbal imediata e explícita de aprovação mútua é aceitável para que um casamento válido entre em vigor. No entanto, uma concessão foi feita às mulheres cuja hayaʾ as constrange, impedindo-as de expressarem o interesse em um homem. Aisha, narra que quando o Mensageiro de Allah instruiu as famílias a consultar as mulheres antes de casá-las, ela o disse: “Ela (a virgem) é muito tímida para falar.” Ele respondeu: “Então, o consentimento dela é o seu silêncio.[i] Em outro lugar, a Sunnah do Profeta autorizou a hayaʾ como um medidor legítimo pelo qual um crente com um coração saudável pode discernir entre o vício e a virtude. Ele ﷺ disse a al-Nuwas bin Saman, que Allah esteja satisfeito com ele: “A justiça é a boa maneira, e o pecado é o que confunde o teu peito e o que tu odiarias que as pessoas descobrissem.[ii]

Os juristas muçulmanos também dedicaram capítulos inteiros a regulamentações legais destinadas a garantir que as pessoas não sejam aproveitadas por causa de sua hayaʾ. Eles cunharam máximas como “Tudo o que é conquistado pela espada da hayaʾ é ilegal”, o que significava que induzir os outros a renunciar seus direitos é o mesmo que usurpá-los pela força. Imam Aḥmad, que Allah tenha misericórdia dele, aplicou esta regra a um devedor que assediava um credor para reduzir o valor devido, e muitos aplicaram-na também no consumo da comida das pessoas e na permanência em suas casas. Se uma pessoa tem consciência que algo lhe foi oferecido por causa da timidez ou constrangimento de alguém que seria incapaz de fazer o contrário, seria proibido aceitar o item, e a pessoa seria obrigada a devolver ou reembolsar o valor daquilo, caso já o tivesse consumido. Esta não foi apenas uma salvaguarda racionalmente deduzida para proteger o escopo da hayaʾ, mas sim, tirada diretamente das palavras do Profeta ﷺ: “A propriedade de um muçulmano é ilegal [para consumo] a menos que, de coração aberto, o dono permita.”[iii]

ʿAbd Allah bin ʿUmar, que Allah esteja satisfeito com ele, narra que o Profeta ﷺ disse: “Hayaʾ e iman (fé) foram emparelhadas, se uma é removida, a outra também é removida.”[iv] Um hadith como este – eles são inúmeros – significa que hayaʾ é inseparável do Islam , e um motivador fundamental por trás do compromisso de viver a fé. Isso não quer dizer que a hayaʾ inata, que até mesmo os não-muçulmanos têm, faz da pessoa uma crente qualificada para a salvação. Isso também é o que ʿUmar bin ʿAbd al-aziz deve ter indicado, quando ouviu as pessoas dizerem: “a hayaʾ faz parte da religião”, e respondeu: “Ao contrário, é a religião inteira”.

Abu Hurairah, que Allah esteja satisfeito com ele, narra que o Profeta ﷺ disse: “A Hayaʾ vem da fé, e a fé está no Paraíso. E a vulgaridade vem da insensibilidade, e a insensibilidade vem do Inferno.”[v] Portanto, os fiéis são aqueles que são cautelosos em usar expressões vulgares (badhaʾah), mesmo quando factualmente corretas, enquanto aqueles com corações insensíveis (jafaʾ) não se abstêm das expressões obscenas. Por esta razão, descobrimos que o Profeta ﷺ também disse: “Hayaʾ e silêncio são dois ramos da fé, e vulgaridade e eloquência são dois ramos da hipocrisia.”[vi] O Profeta ﷺ era o orador mais eloquente e elogiava os outros por serem articulados, então isso deve significar que às vezes é a força da fé que impede a língua de falar insolentemente, e o coração enfermo que permite a alguém proferir mentiras e obscenidades.

Os primeiros muçulmanos compreenderam que sua sobrevivência na Outra Vida exigia manter um coração saudável que crê no invisível e abomina o obsceno.

Al-Fudail bin ‘Iyad disse: “Cinco sinais de condenação são: dureza de coração, secura de olhos, falta de hayaʾ, inclinação para este mundo e indulgência em falsas esperanças”.
Malik bin Dinar disse: “Allah, Glorificado e Exaltado seja, nunca puniu um coração com nada mais severo do que arrancar a hayaʾ dele.”

Hayaʾ é uma qualidade de Allah

A maior virtude da hayaʾ é ser um atributo inerente do próprio Divino. Vários ahaadith estabelecem que Allah é ḥayi, que significa abundante em hayaʾ, ou seja, esta é uma de Suas características sempre presente. Salman, que Allah esteja satisfeito com ele, narra que o Profeta ﷺ disse: “Allah é, de fato, Hayi e Generoso; quando uma pessoa levanta as mãos para Ele [em súplica], Ele é muito tímido para mandá-las de volta vazias e desapontadas.”[vii]

Claro, as qualidades de Allah existem perfeitamente n’Ele, ao contrário de suas características presentes nos seres criados.

Al-Mubarakfuri explica que “atribuir hayaʾ a Allah (o Altíssimo) é entendido de uma forma condizente com Ele, assim como o resto de Seus atributos nos quais devemos acreditar, sem nos aprofundar nos detalhes de como eles se relacionam [com Allah]. ”

Essa é a estrutura definida pelo Alcorão: “Nada é igual a Ele. E Ele é O Oniouvinte, O Onividente.” (al-Shura, 42:11).

Ibn al-Qayim, que Allah tenha misericórdia, diz: “Quanto à hayaʾ do Senhor (o Exaltado) para com Seu servo, estes é um tipo diferente. O entendimento não pode compreendê-lo, nem a inteligência pode abarcá-lo. É uma hayaʾ de nobreza, bondade, generosidade e glória. Ele (o Abençoado e Exaltado) é Hayi e Generoso; muito tímido para devolver as mãos vazias de Seu servo, depois dele tê-las erguido, e muito tímido para punir os idosos cujos cabelos ficaram brancos. ”

Yaʿlá bin Umayyah (que Allah esteja satisfeito com ele) narra que o Mensageiro de Allah disse: “Allah é de fato Hayi e Sittir; Ele ama hayaʾ e sitr. Portanto, quando um de vós se banhar, que se esconda.”[viii] Sittir é um superlativo de sitr (ocultação), o que significa que Allah valoriza a ocultação, odeia que os corpos das pessoas sejam expostos desnecessariamente e ama aqueles que observam a hayaʾ e sitr dos outros. A única exceção feita pelo Profeta ﷺ foi para companheiros legais, talvez devido aos elementos visuais que aumentam sua gratificação física. Na verdade, quando ele ﷺ foi questionado no mesmo contexto, “Que tal um homem sentado nu e sozinho?”, Ele disse: “Allah é mais merecedor [do que qualquer pessoa] que a hayaʾ seja exibida ante Ele.”[ix] Todos graus de nudez, como revelar qualquer parte do corpo ou sua forma, em um contexto proibido pela Shariah – para homens ou mulheres – seriam contrários à hayaʾ e sitr que é tão querido por Allah e também parte de Suas qualidades.

O amor de Allah pela hayaʾ e sitr se estende até mesmo aos nossos pecados. Allah odeia que uma pessoa se exponha e ama velar as pessoas da desgraça pública. Isso pode ser inesperado, especialmente quando Allah não se beneficia de nada com isso, mas Sua nobreza sublime exige que não sejamos humilhados aos olhos dos outros ou punidos imediatamente por Ele. Yahia bin Muʿadh, que Allah esteja satisfeito com ele, disse: “Exaltado é Aquele cujo servo peca, e ainda assim Ele é Aquele que se torna tímido.” Ele também disse: “Quem tem hayaʾ de Allah quando O obedece, Allah tem hayaʾ dele quando ele peca”. Ibn al-Qayyim explica isso:

“Quem exibe hayaʾ, mesmo durante atos de obediência, em que seu coração é lançado entre as mãos de seu Senhor em vergonha e intimidação… Se tal pessoa cair em pecado, Allah (o Glorificado e Exaltado) olhará para ele neste estado com timidez, devido à sua significância aos olhos de Allah. Ele tem hayaʾ para ver Seu querido servo, que é valioso para Ele, em tal estado deplorável… Na vida cotidiana, vemos isso. Se um homem se deparar com alguém muito querido, amado e próximo a ele – talvez uma criança, companheiro ou outro ente querido – enquanto esta pessoa o está traindo, essa descoberta vem acompanhada de um estranho sentimento de haya, ​​como se ele próprio fosse o criminoso, e este é o auge da nobreza.”

Quanto àqueles que não têm hayaʾ e, portanto, continuam a desobedecer a Allah, Allah não terá hayaʾ para puni-los neste mundo e no próximo. Estas são pessoas para quem os portões da redenção estarão bloqueados, ou totalmente fechados, e elas terão que pagar por seus crimes, apesar da vasta misericórdia de Allah. O Profeta ﷺ disse: “Minha nação inteira está perdoada, exceto aqueles que divulgam [seus pecados]. E uma forma de divulgação é quando uma pessoa comete [um pecado] à noite, então ela diz pela manhã, apesar de Allah ter escondido: ‘Ó fulano de tal, eu fiz isso e aquilo ontem à noite.’ Ela passou a noite sendo preservada por Allah, e então rasgou a cobertura de Allah pela manhã.”[x]

Hayaʾ é a marca registrada dos profetas

Hayaʾ é o legado de todos os profetas. Isto foi protegido por Allah contra a extinção, apesar das muitas distorções e revogações que suas mensagens enfrentaram. Abu Masʿud al-Badri, que Allah esteja satisfeito com ele, narra que o Profeta ﷺ disse, sobre isto: “Certamente, o que as pessoas retiveram das palavras da primeira missão profética é: Se tu não sentes hayaʾ, faça o que quiseres.”[xi] Os profetas de Allah não apenas ensinaram esta virtude de forma consistente ao longo das gerações, mas também foram os que melhor incorporaram isso na criação de Allah.

Em um hadith, o Mensageiro de Allah disse: “Mussa era um homem de intensa hayaʾ. Ele sempre fazia questão de se cobrir e sua timidez não permitia que nada fosse visível de seu corpo. Um grupo de pessoas dos israelitas o assediou, dizendo: ‘tu não te cobres desta maneira, exceto devido a algum defeito [na pele] ou hérnia escrotal.’ Allah desejou limpar seu nome, então, no dia em que ele saiu para tomar banho em privacidade e colocou suas roupas sobre uma pedra, a pedra escapou com suas roupas. Mussa correu atrás dela, gritando, ‘Ó pedra, minhas roupas! Ó pedra, minhas roupas!’ Por fim, ele chegou a um lugar onde os israelitas estavam reunidos, e eles o viram nu, tendo a melhor das formas que Allah havia criado. Eles disseram, ‘Por Allah, não há defeito algum em Mussa’. Ele agarrou suas roupas e começou a bater na pedra. E por Allah, ele deixou seis ou sete marcas na pedra de suas batidas.”[xii]

Em um famoso hadith, aprendemos que a criação buscará desesperadamente alívio contra a angústia do Último Dia, correndo para cada um dos profetas para interceder por ela perante Allah para que o julgamento possa começar. Eles se aproximarão de Adam, então Nuḥ, então Ibrahim, então ‘Issa e cada um desses poderosos mensageiros declinará e se sentirá incapaz para esta tarefa assustadora. Mas com Adam, Nuḥ e Ibrahim em particular, o hadith estabelece que é o sentimento hayaʾ de seu Senhor que os impedirá, “devido a se lembrarem de seus pecados”.[xiii]

Quanto ao nosso Profeta Muhammad ﷺ, Ibn Ḥajar afirma que ele foi dotado por Allah com a mais pura hayaʾ inata, e sua hayaʾ baseada na fé adquirida era de um nível supremo e incomparável. Abu Saʿid al-Khudri disse: “O Mensageiro de Allah era mais tímido do que uma virgem em seu khiḍr; quando ele visse algo de que não gostava, saberíamos pelo seu rosto.”[xiv] O khiḍr é o canto mais recluso de uma casa inacessível a estranhos, onde uma jovem encontraria privacidade sem ser perturbada quando os visitantes chegassem. A virgem protegida – ao contrário das mulheres casadas ou mulheres que casualmente se misturam com o público – tem um senso de hayaʾ ainda maior do que as outras. Portanto, quando o Profeta ﷺ encontrava algo impróprio, sua profunda hayaʾ não lhe permitia esconder sua reação; era mais óbvio em seu rosto do que a reação de uma virgem protegida que foi invadida sem aviso nos aposentos mais privados da casa de seus pais. Às vezes, seu rosto ficava vermelho e, outras vezes, isto o deixava ﷺ incapaz de falar. Como Abu Dahbal al-Jumaḥi, um poeta omíada, disse em um dístico de louvor:

A Hayaʾ manteve suas palavras – poucas, como se estivesse doente,
Embora seu corpo não tivesse sofrido a menor picada.

Durante a extraordinária viagem noturna (al-Miʿraj), o Profeta ﷺ ia e voltava entre seu Senhor e Mussa, cada vez buscando uma redução maior no número de orações diárias devidas por sua nação. Mas depois que ela foi reduzida de cinquenta orações para cinco, e Mussa ainda aconselhou o Profeta Muhammad ﷺ a buscar uma redução adicional, para que o povo não falhasse em sustentá-la, ele ﷺ não conseguiu superar sua hayaʾe disse a Mussa, “Eu pedi ao meu Senhor até que fiquei envergonhado. Então, vou aceitar e submeter.”[xv]

Aisha atesta que a hayaʾ do Profeta ﷺ não apenas transcendeu a vulgaridade, mas também a vingança: “O Profeta nunca foi vulgar, nem lascivo, nem barulhento e indisciplinado nos mercados, nem retribuiria o mal com o mal. Em vez disso, ele perdoava e esquecia.”[xvi]

Hayaʾ entre os companheiros e primeiros muçulmanos

Os Companheiros do Profeta estavam ansiosos para emular seu modelo perfeito ﷺ em todas as suas virtudes, e os seguintes são apenas alguns exemplos dos estados elevados de hayaʾ que eles herdaram e viveram.

Era bem conhecido que Allah distinguiu ʿUthman bin ʿAffan em particular com esta qualidade. O Mensageiro de Allah atestou isso por si mesmo, dizendo: “O mais genuíno da minha nação em hayaʾ é ʿUthman.”[xvii] Foi tão intenso que provocou a haya’ das pessoas e anjos ao seu redor. Em um longo hadith, Aisha narra que ela disse ao Profeta ﷺ: “Abu Bakr entrou, mas tu não te moveste nem te importaste… Então ʿUmar entrou, mas tu não te moveste nem te importaste… Então ʿUthman entrou, então tu te sentaste e arrumaste tuas roupas (cobrindo tuas pernas).” Em resposta, ele disse: “Não deveria eu ter hayaʾ de um homem por quem os anjos têm hayaʾ?”[xviii]

A própria Aisha, que Allah esteja satisfeito com ela, era conhecida por sua incrível hayaʾ, a ponto de se sentir desconfortável em remover seu hijab na presença do falecido. Ela disse: “Eu costumava entrar na sala sem meu véu onde o Mensageiro de Allah e meu pai foram enterrados, e dizia [a mim mesma] que eram apenas meu marido e meu pai. Mas, por Allah, uma vez que ʿUmar foi enterrado [lá], eu nunca entrei sem minhas vestes sobre mim – por hayaʾ de ʿUmar.”[xix]

Asmaʾ bint Abi Bakr, que Allah esteja satisfeito com ela, menciona que durante os primeiros anos de seu casamento com al-Zubair, a pobreza deles a forçou fazer a trabalhos pesados. Um dia, enquanto ela carregava uma carga pesada de tâmaras em sua cabeça (por quase 3 quilômetros) para alimentar o cavalo de seu marido, o Profeta ﷺ a encontrou no caminho com alguns de seus Companheiros. Ele ofereceu a ela uma carona em seu camelo, mas ela se recusou a viajar com um grupo de homens sem relação de parentesco. Ao chegar a al-Zubair, ela explicou a ele que o Profeta ﷺ “baixou [seu camelo] para eu cavalgar, mas eu senti hayaʾ e pensei em seu ciúme”. Ele respondeu: “Por Allah, tu carregando as tâmaras é certamente mais difícil para mim do que cavalgando com ele.”[xx]

Faṭimah, que Allah esteja satisfeito com ela, a filha do Mensageiro de Allah ﷺ, uma vez reclamou que ficou horrorizada com as mortalhas justas que envolvem uma mulher falecida, revelando a forma de seu corpo. Umm Jaʿfar, que Allah esteja satisfeito com ela, disse: “Ó filha do Mensageiro de Allah, devo mostrar-lhe algo que vi na Abissínia?” Ela pediu fibras de palmeira úmidas, dobrou-as e jogou uma peça de roupa sobre elas. Faṭimah disse: “Como isso é maravilhoso e excelente!… Se eu morrer, tu e ‘Ali me lavam e não permitem que ninguém entre [antes de me vestir com isso].” Seu desejo foi realizado em seu funeral, e sua hayaʾ vive para guiar as mulheres crentes até o fim dos tempos.

As biografias de nossos predecessores justos, as primeiras gerações de muçulmanos, também estão repletas de exemplares hayaʾ para com Allah e com o povo:

Abu Hudhail, que Allah esteja satisfeito com ele, ​​disse: “Encontramos pessoas que gostariam de ter hayaʾ de Allah, mesmo na escuridão da noite”. Al-Thawri disse: “Com isso, ele quis dizer sentir vergonha de que seus corpos possam ficar descobertos [durante o sono].”

Muḥammad bin Sirin disse: “Eu nunca tive relações com uma mulher, nem quando acordado ou dormindo, exceto [minha esposa] Umm ʿAbd Allah. Eu até veria uma mulher em meu sonho, então percebendo que ela não é permitida para mim, eu desviaria meu olhar. ” Alguns disseram: “Eu gostaria de ser tão inteligente acordado quanto Ibn Sirin é dormindo”.

Muʿawiyah bin Aws, que Allah esteja satisfeito com ele, disse: “Eu vi Hisham bin ʿAmmar. Quando ele caminhava, seu olhar estava baixo, em direção ao chão, e ele nunca levantava sua cabeça para o céu, por hayaʾ de Allah, o Poderoso e Majestoso. ”

Al-Ḥussein bin Muḥammad bin Khusru disse: “Abu Bakr bin Maimun uma vez bateu na porta de al-Ḥumaidi. Ele presumiu que a permissão havia sido concedida, então ele entrou e o encontrou com a coxa descoberta. Isso fez com que al-Ḥumaidi chorasse e dissesse: ‘Por Allah, tu olhaste para um lugar que ninguém jamais viu desde que eu atingi a maturidade.’”

Mihran bin ‘Amr al-Asdi narra que testemunhou al-Fudail bin ‘Iyad em pé no local sagrado na véspera de ʿArafah, chorando tão apaixonadamente que não conseguia nem suplicar, e estava dizendo: “Ó, que vergonha! Ó minha humilhação! Mesmo se Tu me perdoes! “

Muḥammad bin Abi Ḥatim narra que Muḥammad bin Salam dizia a seus colegas, depois que Imam al-Bukhari deixava a reunião: “Vós já vistes uma garota virgem que tem mais hayaʾ do que este homem?”

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[i] Muḥammad b. Ismā’īl al-Bukhari, al-Jāmi ‘al-Musnad al-Sahih (Beirute: Dār Ṭawq al-Najāh, 2001), n° 6971; Muslim b. Ḥajjāj al-Naysābūri, al-Musnad al-Sahih (Beirute: Dār Ihyā ’at-Turāth al-‘Arabi), n° 1420.

[ii] Sahih Muslim, n° 2553.

[iii] ʿAlī bin ʿUmar al-Dāraquṭnī, Sunan al-Dāraquṭnī (Beirute: Muʾassasat al-Risālah, 2004), nos. 2885 e 2886; autenticado por al-Albānī.

[iv] Muḥammad bin ʿAbd Allah al-Ḥākim, al-Mustadrak ‘alá al-sahihayn (Beirute: Dār al-Kutub al-ʿIlmīyah, 1990), n° 58; autenticado por al-Ḥākim de acordo com os critérios de al-Bukhari e Muslim, e al-DhahAbi concordou.

[v] Muḥammad bin ʿĪsá al-Tirmidhi, Sunan al-Tirmidhi (Egito: Maṭbaʿat Musṭafá al-ḤalAbi, 1975), n° 2009; classificado como ḥasan-sahih por al-Tirmidhi e autenticado por al-Albānī.

[vi] Sunan al-Tirmidhi, n° 2027; autenticado por al-Albani.

[vii] Sunan al-Tirmidhi, n° 3556; autenticado por al-Albani.

[viii] Aḥmad bin Shuʿayb al-Nasaʾi, Sunan al-Nasaʾi (Aleppo: Maktabat al-Maṭbu’at al-Islamiyyah, 1986), n° 406; autenticado por al-Albani.

[ix] Sunan al-Tirmidhi, n° 2769; classificado como ḥasan (aceitável) por al-Albani.

[x] Sahih al-Bukhari, n° 5721, Sahih Muslim, n° 2990.

[xi] Sahih al-Bukhari, n° 3483.

[xii] Sahih al-Bukhari, n° 278; Sahih Muslim, n° 339.

[xiii] Sahih al-Bukhari, n° 4712; Sahih Muslim, n°. 194.

[xiv] Sahih al-Bukhari, n° 6102.

[xv] Sahih al-Bukhari, n° 7517; Sahih Muslim, n° 162.

[xvi] Sunan al-Tirmidhi, n° 2016; autenticado por al-Ḥakim de acordo com os critérios de al-Bukhari e Muslim, e ambos al-Dhahabi e al-Albani concordaram.

[xvii] Sunan al-Tirmidhi, n° 3790; Sunan Ibn Majah, n° 154; autenticado por al-Albani.

[xviii] Sahih Muslim, n° 2401.

[xix] Musnad Aḥmad, n° 25660; autenticado por al-Ḥakim, al-Haythami e al-Albani.

[xx] Sahih al-Bukhari, n° 5224; Sahih Muslim, n° 2182.

Etiqueta e Comportamento