Como as Muçulmanas podem atingir o Paraíso

Como as Muçulmanas podem atingir o Paraíso

Iman (fé) + Sofrimento + Paciência = Paraíso

Também se pode inferir que a mulher muçulmana piedosa ama, inerentemente, estar coberta, ama a modéstia e a castidade e odeia revelar o seu corpo e a sua beleza. A mulher negra podia suportar estar tão doente, mas não podia suportar estar descoberta à frente das pessoas!

A questão, é preciso entender, não é preto ou branco ou árabe ou não-árabe, rico ou pobre, nobre [com linhagem] ou não, é, pelo contrário, uma crença tão profundamente enraizada no coração dos muçulmanos como o fluxo de sangue nas artérias e veias das pessoas. São aqueles que estão totalmente comprometidos com o Islam. 1400 anos de história mostraram que as mulheres muçulmanas poderiam sustentar a fome, a pobreza, a doença, mas nunca poderiam sustentar a desobediência a Allah. Uma esposa diria ao seu marido quando este saía para o trabalho: “Temei a Allah por nós, pois podemos sustentar a fome e sede, mas não podemos sustentar o fogo do Inferno [isto é, não adquira ganho ilegal]!”

Querida irmã, pergunte-se a si mesma o que fez Khadija para ela ser cumprimentada por Allah e por Jibril. Pergunte-se o que fez Khadija ser recompensada com um palácio na Jannah que ninguém poderá imaginar. Lendo a biografia de Khadija, e outras mulheres como ela em grandeza, nós gostaríamos de estar ao seu serviço: pegar os seus sapatos, lavar as suas roupas, servi-las no que for possível e obter a súplica delas a Allah. É triste que nós simplesmente não sabemos as grandes personalidades desta Ummah. Se nos esforçássemos para estudar a vida dos virtuosos que nos precederam, iríamos encontrar neles orientação imensa para a nossa existência, e se os conhecermos e seguirmos podemos estar à frente da humanidade…

Diz-se que “Iman (fé) não é por esperança, é sim o que ocorre no coração e é provado pelas obras [maa waqa’a fil qalbi wa saddaqahul ‘amal]”. Pensemos sobre isso e oremos para que Allah nos faça, a todos nós, entre os habitantes do Paraíso, e que nos dê a fé e a paciência que nos levam ao Paraíso. E para abençoar a ummah muçulmana presente com muitas mulheres como a mulher negra, que nos ajudam a concentrar no caminho reto…

Asmaa’ Bint Abu Bakr

Depois de vermos o exemplo acima, da mulher negra, temos Asmaa’ Bint Abu Bakr, uma sahabiah (companheira do Mensageiro de Allah). Esta viagem ao passado requer que libertemos as nossas mentes das ideias dos modernistas, prestemos especial atenção à vida que esta companheira abençoada levou, e a comparemos com as nossas próprias vidas. Como sempre, iremos fazer esta viagem através da narração autêntica dos Estudiosos de Ahadith. Prepare-se, enquanto caminhamos agora de volta no tempo para a época de ouro no tempo do Profeta (que a paz e as bênção de Allah estejam sobre ele).

Asmaa’, filha de Abu Bakr, disse:

“Az-Zubair (Ibn al-‘ Awwam, o primo do Profeta, da parte da sua tia) casou-se comigo. Ele não tinha riqueza, escravo ou qualquer outra coisa parecida, excepto um camelo (para buscar água) e um cavalo. Eu costumava tomar conta do seu cavalo, [fornecer forragem para ele e cuidar dele, e dar tâmaras esmagadas para o seu camelo. Além disso, eu cuidava do camelo], fiz arranjos para fornecer-lhe água e remendei o [seu] balde de couro e amassei a farinha. Mas eu não era proficiente ao fazer o pão, então as minhas vizinhas costumavam cozer o pão por mim [e elas eram mulheres sinceras]. E eu costumava carregar na minha cabeça as sementes das tâmaras da terra de az-Zubair, a qual o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênção de Allah estejam sobre ele) lhe tinha oferecido, e esta (terra) ficava a uma distância de duas milhas (de Medina).

Um dia, quando eu estava a carregar as sementes das tâmaras sobre a minha cabeça, acabei por encontrar o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênção de Allah estejam sobre ele), juntamente com um grupo dos seus Companheiros. Ele chamou-me e disse ao camelo para se sentar, para que ele me levasse atrás dele. Senti vergonha de ir com os homens e lembrei-me de az-Zubair e da sua ghirah (1), e ele era o homem que tinha a maior ghirah. Quando o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênção de Allah estejam sobre ele) entendeu a minha timidez, ele foi embora. Eu fui a az-Zubair e disse: ‘O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênção de Allah estejam sobre ele) encontrou-me quando eu estava a carregar as sementes das tâmaras na minha cabeça, e com ele estava um grupo dos seus Companheiros, ele disse para o camelo para se sentar, para eu o montar, eu senti-me tímida, e lembrei-me da tua ghirah’. Ele (az-Zubair) disse: ‘Por Allah, carregares as sementes das tâmaras sobre a tua cabeça é um fardo maior para mim do que montares com ele’. [E eu levei esta vida de dificuldades] até Abu Bakr enviar depois uma empregada que tomou sobre si a responsabilidade de cuidar do cavalo e eu senti-me como se ela me tivesse emancipado (2)”.

Lembre-se que Asmaa’ era a cunhada do Profeta (que a paz e as bênção de Allah estejam sobre ele)!

Asmaa’ relatou:

“Eu realizava as tarefas domésticas de az-Zubair e ele tinha um cavalo, eu costumava cuidar dele. Nada era (mais) para mim do que cuidar do cavalo. Eu costumava trazer grama para ele e cuidava dele, depois eu tive uma empregada, visto que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênção de Allah estejam sobre ele) tinha alguns prisioneiros de guerra. Ele deu-me uma escrava. Ela, então, começou a cuidar do cavalo e, assim, me aliviou deste fardo.

Uma pessoa veio e disse: ‘Mãe de ‘Abdullah, eu sou uma pessoa pobre e tenho a intenção de iniciar negócio sob a sombra da sua casa’. Eu (Asmaa’) disse: ‘Se eu lhe conceder permissão, az-Zubair pode não concordar com isso, então venha fazer um pedido quando az-Zubair também estiver presente’.

Ele veio, de acordo, e disse: ‘Mãe de ‘Abdullah, eu sou uma pessoa destituída. Pretendo começar um pequeno negócio na sombra da sua casa’. Eu disse: ‘Será que não existe em Medina (qualquer lugar para iniciar o negócio), excepto a minha casa?’. Az-Zubair disse: ‘Por que é que proíbes o homem destituído de começar o negócio aqui?’. Então, ele começou o negócio e ele (ganhou tanto) que lhe vendemos a nossa escrava. Az-Zubair veio até mim enquanto o dinheiro estava no meu colo. Ele disse: ‘Dê-me isto’. Eu disse: ‘(Eu pretendo) gastá-lo em caridade.’” [Muslim]

Observe como Asmaa’ estava a favor de permitir que a pessoa iniciasse o seu negócio sob a sombra da sua casa, mas não gostava de fazer qualquer coisa que pudesse ser uma fonte de aborrecimento ou desgosto ao marido. Ela, então, fez uma pergunta a fim de solicitar a opinião do seu marido e, quando a reacção dele foi favorável, ela concordou com esta proposta.

Querida irmã, Allah fez-te uma jóia protegida no Islam, a qual os liberais estão a tentar transformar num objecto de comércio, e os modernistas [entre os muçulmanos] estão a tentar arrancá-la da sua modéstia e timidez. Leia estes ahadith com atenção, várias vezes, e reflita sobre eles muito profundamente. Eles contêm uma mina de ouro para homens e mulheres.

Asmaa’ tinha os seguintes créditos na sua personalidade (entre outros):

  • Ela era uma das mulheres mais nobres da Arábia na época;
  • Era filha do puro e nobre Abu Bakr, o líder da sua tribo, e o primeiro califa do Islam;
  • Era cunhada do melhor da humanidade, Muhammad, que a nomeou “Thatun-Nitaqayn” (Aquela com os Dois Cintos), por causa do seu acto heróico durante a Hijrah [migração] do Profeta e Abu Bakr, de Meca para Medina;
  • Era irmã da mulher mais sábia, ‘A’isha, que está entre os únicos sete Companheiros do Profeta que narraram mais de mil ahadith;
  • Era a esposa de az-Zubair Ibn al-‘Awwaam, uma das dez pessoas para as quais foi prometido o Paraíso pelo Mensageiro de Allah (que a paz e as bênção de Allah estejam sobre ele). Az-Zubair era valente, corajoso e defendia o Profeta (que a paz e as bênção de Allah estejam sobre ele) com a sua espada;
  • Era a mãe do Líder dos Crentes ‘Abdullah ‘Ibn az-Zubair a quem foi dada bay’a (aliança) em Hijaz e foi morto por Al-Hajjaaj (3);
  • E era a mãe de ‘Urwah, que quando entrava na oração, esquecia esta vida. Foi ‘Urwah que, quando a sua perna teve de ser amputada, foi solicitado a beber vinho como anestesia, mas recusou-se a beber vinho e, em vez disso, deu instruções para a amputar enquanto rezava. Eles fizeram como pedido e ele não sentiu nada até acordar.

Asmaa’ era uma das personalidades mais nobres, e mesmo assim costumava estar totalmente coberta e era tímida à frente dos homens. Ela recusava-se a ficar com homens, misturar-se com eles, andar entre eles ou ir com eles – e por Allah, os homens (dessa sua época) não eram homens comuns! Eles eram o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênção de Allah estejam sobre ele) e os seus Companheiros.

Ela serviu o seu marido como uma verdadeira esposa deve fazer, ficava a cuidar da casa e família. Ela era muito cuidadosa na guarda e preservação da sua honra e da honra do seu marido. Alguma vez ela pressionou az-Zubair, lembrando-lhe da sua linhagem honrosa como a filha do nobre Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) Ela era paciente perante o sofrimento que ela passou, e era carinhosa e respeitosa para com o seu marido. Pode uma mulher ser mais rica do que Asmaa’?

O seu pai, Abu Bakr, era um comerciante rico. No entanto, ela carregava sementes de tâmaras na sua cabeça, e andava quilómetros para conseguir água e sementes de tâmaras. Ela também lidava com cavalos e camelos [que ela não fazia na casa do seu pai], cozia pão, agradava ao seu marido, mas não tomava decisões sem ele, mesmo que fosse uma decisão óbvia para o agrado de Allah.

Querida irmã, acorde! Perceba que os modernistas e liberalistas estão a levá-la para um caminho diferente do caminho dos crentes. Allah diz:

“A quem se opuser ao Mensageiro, depois de ter sido evidenciada a Orientação, seguindo outro caminho que não o dos crentes, abandoná-lo-emos no seu erro e introduzi-lo-emos no inferno. Que péssimo destino!” (Qur’an 4:115)

Qual é o caminho que leva à felicidade neste mundo e no próximo, para o prazer de Allah e a companhia de Asmaa’ no Paraíso? É o caminho de tabarruj (5) e sufur (6) e ikhtilat (7) ou o caminho de Hijab e Recato?

Lembre-se das palavras de ouro da Asmaa’ quando ela disse: “Senti vergonha de ir com os homens, e lembrei-me de az-Zubair e da sua ghirah”. Lembre-se também do que a mulher negra, disse: “Mas eu fico descoberta, então por favor suplique a Allah por mim para que não fique descoberta”. Isto ilustra o tipo de sociedade pura e limpa que era, e que tipo de mulheres incríveis elas eram. Elas eram as seguidoras do Qur’an e da Sunnah, os Salaf (predecessores) que nos orgulhamos em seguir. Pense sobre isso, e ore a Allah para nos incluir todos entre as mulheres e homens puros com quem Allah está contente, e com quem o Mensageiro de Allah estará satisfeito e feliz por encontrar no Paraíso, porque eles seguiram a sua Sunnah embora nunca o tenham conhecido, e eles seguiram a prática dos seus Companheiros, os quais nunca conheceram também.

Imagine, querida irmã, que está entre os bem-aventurados que conseguiram passar sobre o Sirat (8) e que encontrou à sua frente o Hawdh (lagoa) do Profeta e bebeu. Imagine-se entrando na Jannah e encontrando o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênção de Allah estejam sobre ele) feliz em vê-la. Imagine que você está entre aqueles a quem ele chamará de “meus irmãos” (9). Imagine-se entre os bem-aventurados, quando o véu será retirado, e as pessoas do Paraíso “não conhecerão nada mais querido a elas do que olhar para o rosto do seu Senhor” [Muslim]. Na verdade, a recompensa de Allah é de valor inestimável, a recompensa de Allah é o Paraíso; o seu preço é seguir e praticar o Qur’an e a Sunnah da maneira que Asmaa’ e az-Zubair e todos os Sahabah faziam.

Esperemos e oremos para que, depois de viajar por esses ahadith autênticos, coloquemos em prática tudo o que temos aprendido. Lembremos que a nossa felicidade, o prazer dos nossos olhos e o conforto dos nossos corações começa connosco pelo nosso cumprimento da prática do Qur’an e da Sunnah e a prática dos Salaf.

Notas de Rodapé:

(1) o sentimento de honra e protecção que um homem tem para com os membros femininos da sua família.

(2) al-Bukhari, Muslim e Ahmad; narração adicional entre “[]” são de Muslim.

(3) ‘Abdullah Ibn az-Zubair procurou o conselho da sua mãe Asmaa’ na luta contra a Al-Hajjaaj e do seu líder Abdul Malik depois destes dois terem sido chamados para se renderem. Ela respondeu: “Se saíres [no combate] para reviver o Livro de Allah e a Sunnah do Seu Profeta, sabei que o bode não é torturado pelo abate [ou seja, uma vez morto, ele não sente nada quando a pele é removida]. Então, morre pela verdade. Mas se saíres à procura da vida mundana, então não há nenhuma bondade em ti, vivo ou morto. Meu Filho! Morre com honra e dignidade e não te rendas. [Musnad al Haiku]. Depois deste encontro com Asmaa’, ‘Abdullah saiu para lutar. Ele foi morto em Meca (que Allah tenha misericórdia dele e esteja satisfeito com ele).

(4) Os crentes fiéis são os Sahabah [os Companheiros do Profeta (que a paz e as bênção de Allah estejam sobre ele)]. Shaikh-ul-lslam Ibn Taymiyah comentou sobre este verso: “Todos os que contradizem e se opõem ao Mensageiro depois do caminho certo se ter tornado claro e evidente, seguem um caminho diferente do caminho dos crentes, e todos os que seguem diferente do caminho dos crentes contradizem e se opõem ao Mensageiro depois do caminho certo se ter tornado evidente. Se alguém pensa que está a seguir o caminho dos crentes fiéis e está equivocado, ele está na mesma posição de um que pensa que está a seguir o Mensageiro e está equivocado”.

(5) Exibir a própria beleza.

(6) Revelar a beleza.

(7) Misturar-se com os homens.

(8) A ponte estreita que paira sobre o Inferno.

(9) Uma parte do hadith de Sahih Muslim, que continua: “o Sahabah respondeu: ‘Não somos nós os seus irmãos?’. Ele disse: ‘Vocês são os meus companheiros, os meus irmãos são pessoas que virão mais tarde, acreditarão em mim (e, obviamente, me seguirão), mesmo que não me tenham visto’”.

Fonte IslamsWomen

Assuntos Femininos