Amuletos e Talismãs

Amuletos e Talismãs

Era costume dos árabes, no tempo do Profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), usar-se pulseiras nos braços, braceletes, colares de contas, conchas, etc., como amuletos para evitar o mal e trazer boa sorte.


Talismãs e amuletos podem também ser encontrados em todas as regiões da terra numa variedade de formas. Fé em amuletos e talismãs contradiz a verdadeira crença na Rububiyah (Domínio) de Allah pois é atribuído a objectos criados o poder de evitar o mal e de trazer boa sorte.

O Islam opôs-se a todas as manifestações de tais crenças que apareceram na Arábia durante o tempo do último Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) para estabelecer uma fundação na qual crenças e costumes semelhantes seriam também condenados e proibidos sempre e onde eles mais tarde aparecessem.

Tais crenças, de facto, dão a base ideológica para a adoração de ídolos na maior parte das sociedades pagãs, e mesmo os amuletos representam um ramo de idolatria. Esta relação pode ser facilmente vista no ramo católico do Cristianismo, onde o Profeta Jesus é deificado, a sua mãe Maria e santos são adorados, e imagens, estátuas e medalhões com as suas imaginadas semelhanças são guardados e usados para se ter protecção do mal.

Quando as pessoas aceitaram o Islam durante o tempo do Profeta(que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), muitas vezes traziam com elas a crença em amuletos, colectivamente conhecidos em árabe como tama’im (sing. Tamímah). Consequentemente, existem muitos ditos preservados do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) nos quais ele proibiu estritamente tais práticas. Os seguintes são só alguns exemplos:

‘Imran Ibn Husayn relatou: “Quando o Profeta viu uma bracelete de latão na parte de cima do braço de um homem, ele disse-lhe ‘Ai de ti! O que é isto?’. O homem respondeu que era para o proteger de uma doença chamada al-Wahinah [i.e. fraqueza, possivelmente referindo-se a artrite]. O Profeta então disse ‘Lança-a fora, pois na verdade só te aumentaria a fraqueza. E se morresses com ela posta, nunca terias sucesso'”. [Coleccionado por Ahmad, Ibn Majah e Ibn Hibban]

Logo, o uso de pulseiras, braceletes e anéis de bronze, latão ou ferro, pelos doentes ou pelos sãos com a crença de que estes evitarão ou curarão doenças é estritamente proibido. Tais práticas também fazem parte da proibição contra o tratamento de doenças com curas haram (proibidas) sobre as quais o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse,

“Tratem as doenças uns dos outros, mas não as tratem com coisas proibidas”. [Coleccionado por Abu Dawud, Sunan Abi Dawud (Tradução Inglesa) vol. 3, pág. 1087, hadith nº 3865; e al-Bayhaqi]

Abu Waqid al-Laythi também relatou, “Quando o Mensageiro de Allah partiu para Hunayn [que é o sítio onde aconteceu a última batalha entre o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e as tribos árabes pagãs], eles passaram por uma árvore chamada Dhatu Anwat (i.e. “a que tem coisas penduradas”). Os idolatras costumavam pendurar as suas armas nos ramos desta árvore para terem boa sorte. Alguns dos Sahabah (companheiros) que eram novos no Islam perguntaram ao Profeta para apontar uma árvore semelhante para eles. O Profeta respondeu ‘SubhanAllah! (i.e. Glorificado seja Allah]. Isso é exactamente o que o povo de Moisés lhe disse: ‘…Faz um deus para nós tal como os deuses deles!…’ [Qur’an 7:138]. Por Aquele em Cujas Mãos está a minha alma, todos vocês seguirão os passos dos vossos antepassados'”. [Coleccionado por Tirmidhi, Nasa’i e Ahmad e autênticado como sahih por Al-Albani em Sahih Sunan Tirmidhi]

Neste hadith, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) não só rejeita o conceito de amuletos de sorte mas também prevê que os muçulmanos imitarão as práticas dos cristãos e judeus. As contas de dhikr que são comuns entre os muçulmanos são imitação do rosário dos católicos; O Mawlid (celebração do aniversário do Profeta) é imitação do Natal; e a crença em santos e na sua intercessão entre muitos muçulmanos não é diferente em princípio da crença encontrada no Cristianismo. A profecia já se tornou realidade!

O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) enfatizou ainda a seriedade do uso de amuletos, invocando a maldição de Allah para aqueles que o fazem.

‘Uqbah Ibn Amir relatou que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse uma vez: “Que Allah cause fracasso e desassossego a quem usar um talismã ou o colocar sobre os outros”. [Coleccionado por Ahmad e Al-Hakim]

Os Companheiros do Profeta seguiram estritamente as suas ordens em relação a amuletos. Consequentemente, existem muitos incidentes registados em que eles se opuseram abertamente a tais práticas na sociedade e também nas suas famílias sempre que estas apareciam.

‘Urwah relatou que quando o companheiro Hudhayfah (radiAllahu ‘anhu) visitou um homem doente e viu uma bracelete na parte de cima do braço do homem, ele arrancou-a e partiu-a. Hudhayfah recitou então o verso: “A maior parte deles que acreditam em Allah cometem shirk (associação de parceiros/rivais a Deus)” [Qur’an 12:106] [Coleccionado por Ibn Abi Hatim]

Noutra ocasião, ele tocou na parte de cima do braço de um homem doente e descobriu um khayt (bracelete de corda) à volta dele. Quando ele perguntou ao homem o que é que aquilo era, o homem respondeu: “É algo com um encantamento feito especialmente para mim”. Hudhayfah rasgou-o do braço do homem e disse, “Se tivesses morrido com ele posto, eu nunca teria feito a oração de funeral para ti!”. [Coleccionado por Ibn Waki’]

A mulher de ‘Abdullah Ibn Mas’ud, Zaynab, relatou que uma vez quando Ibn Mas’ud viu um colar de corda à volta do pescoço dela e perguntou o que era, ela respondeu, “É uma corda na qual um encantamento foi posto para me ajudar”. Ele arrancou o colar do pescoço dela, rasgou-o e disse “Certamente a família de ‘Abdullah não precisa de shirk! Eu ouvi o Mensageiro de Allah dizer: ‘Verdadeiramente, encantamentos, talismãs e amuletos são shirk‘”

Zaynab respondeu, “Como podes dizer isso? O meu olho costumava contrair-se [i.e. A pálpebra do olho mexia-se], e quando eu fui a tal e tal, que é judeu, ele disse um encantamento e o olho parou de contrair!”. Ibn Mas’ud respondeu “Na verdade era só um demónio a mover o olho com a mão dele e quando o tinhas enfeitiçado, ele deixou-o. Teria sido suficiente para ti dizeres como o Profeta ? costumava dizer: ‘Idhhabil-ba’s Rabban-nas wa’shfi, a’nt ash-shafee, la shifa’a illa shifa’uk, shiffa’an la yughadiruhu saqama. (Remove o sofrimento, Ó Senhor da humanidade, e cura-o perfeitamente, como Tu és o Verdadeiro Curador. Não há cura excepto a Tua cura, uma cura que não é seguida de doença)!’” [Coleccionado por Abu Dawud, Ahmad, Ibn Majah e Ibn Hibban; é também relatado por A’isha e Anas e coleccionado por Bukhari e Muslim]

Veredicto Quanto aos Amuletos

Como foi mencionado previamente, a proibição de amuletos, talismãs e outras formas de encantamentos não é limitada às formas árabes, das quais o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) estava contra. Em qualquer situação em que um objecto é usado para o mesmo propósito, a proibição também se aplica. O uso de uma variedade de amuletos é muito difundida na sociedade ocidental hoje, apesar dos seus avanços tecnológicos e apesar das suas conquistas científicas.

Muitos talismãs tornaram-se tão interligados na vida quotidiana que poucas pessoas param para pensar sobre eles; no entanto, quando as suas origens são expostas, o shirk que existe na sua base torna-se óbvio. Os seguintes são só dois exemplos de talismãs na sociedade ocidental:

A Pata de Coelho:

As patas traseiras de coelhos ou réplicas de ouro e prata das patas traseiras são usadas em correntes e pulseiras como amuletos de boa sorte por milhões de pessoas no Ocidente. A origem desta crença é baseada no hábito do coelho de bater com as suas patas traseiras no chão. De acordo com os antepassados, eles acreditavam que os coelhos falavam com os espíritos debaixo do chão quando eles batiam com as patas no chão. Logo, as patas eram guardadas como um meio de dizer os seus desejos e pedidos para os espíritos e também eram usadas como meio de trazer boa sorte em geral.

Ferraduras:

Muitas casas na América têm ferraduras pregadas nas suas portas, versões miniatura também são usadas em pulseiras de amuleto, porta-chaves ou colares, com a crença de que estas trarão boa sorte.

A origem desta crença pode ser encontrada na mitologia grega antiga. Na Antiga Grécia, os cavalos eram considerados animais sagrados. Se uma ferradura de um cavalo era pendurada na porta de uma casa, os gregos pensavam que traria boa sorte. A parte aberta da ferradura tinha que estar para cima, no entanto, para conter a boa sorte dentro. Se esta apontasse para baixo, eles pensavam que a boa sorte era derramada.

A crença em amuletos “dá” à criação o poder divino de evitar má sorte, logo, aqueles que embarcam em tais crenças argumentam (directa ou indirectamente) que a Rububiyah (Domínio) de Allah é limitada pela Sua criação. De facto, estas pessoas consideram que estes amuletos são mais poderosos que Allah, porque pensam que os amuletos são capazes de evitar adversidades que Allah destinou. Por isso, a crença em amuletos é uma forma óbvia de shirk, como Ibn Mas’ud disse no hadith mencionado anteriormente. Este veredicto é reforçado ainda mais pelo hadith seguinte.

‘Uqbah Ibn Amir relatou que: “Quando um grupo de dez homens veio até ao Profeta, ele só aceitou o juramento de aliança de nove deles. Eles perguntaram ‘Ó Mensageiro de Allah, porque é que aceitou a aliança de nove de nós e rejeitou este homem?’. O Profeta respondeu, ‘Porque ele tem um talismã posto nele’. O homem pôs a mão no seu casaco, arrancou o talismã e partiu-o. Quando o Profeta acabou de ter o juramento de aliança do homem, ele voltou-se para o homem e disse ‘Quem usa um talismã cometeu shirk!'” [Coleccionado por Tirmidhi e Ahmad e autenticado por Al-Albani como sahih]

Amuletos alcorânicos:

Os Companheiros, incluindo Ibn Mas’ud, Ibn Abbas e Hudhayfah (que Allah esteja satisfeito com eles), eram todos contra o uso de amuletos alcorânicos. Alguns sábios dentre os tabi’un (estudantes e geração seguinte aos Companheiros do Profeta) permitiram-nos, mas a maior parte estava contra.

No entanto, os textos dos ahadith a proibir talismãs, não fazem distinção entre amuletos contendo Qur’an e amuletos que não o contêm. E não temos nenhum registo do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) em que ele usasse no seu corpo os versos do Qur’an ou permitisse que estes fossem usados dessa forma. Essa forma de usar os versos do Qur’an também contradiz o método profético de quebrar feitiços e evitar o mal. A Sunnah é recitar certos capítulos do Qur’an (113 e 114) e versos (ex.: Ayatul Kursi 2:225), como foi narrado por Abu Hurairah e coleccionado por Bukhari. O único método prescrito para ter o bem do Qur’an é também recitá-lo e aplicá-lo.

O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Quem recitar uma letra do Livro de Allah, ganha uma boa acção e cada boa acção vale dez vezes o seu valor. Eu não digo que alif lam mím é uma letra, mas alif é uma letra, lam é uma letra e mím é uma letra”. [Coleccionado por Ahmad e Al-Hakim e classificado como sahih por Al-Albani]

Usar o Qur’an num amuleto é como um homem doente com a prescrição de um doutor. Em vez de a ler e procurar o medicamento prescrito, ele enrola o papel até ficar uma bola, põe-no numa corda e usa-o como colar, acreditando que isso fará com que ele seja curado.

Quando alguém usa um amuleto alcorânico e acredita que este evitará o mal e trará boa sorte, ele deu a uma parte da criação o poder de cancelar o que Allah já destinou. Consequentemente, ele dependerá desse amuleto em vez de depender de Allah. Esta é a essência do shirk que envolve amuletos, como é evidente na narração seguinte.

‘Issa Ibn Hamzah disse: “Uma vez, eu fui visitar ‘Abdullah Ibn ‘Ukaym e encontrei Hamzah com ele. Eu perguntei a ‘Abdullah ‘Não usas tamimah (um amuleto)?’. Ele respondeu ‘Que Allah nos conceda refúgio disso! Não sabes que o Mensageiro de Allah disse, ‘Quem usar um colar ou bracelete (como amuletos), depende deles.'” [Relatado por Ibn Mas’ud e coleccionado por Ahmad, Tirmidhi e al-Hakim. É classificado como hasan]

O costume de produzir um mushaf (Alcorão em livro) em miniatura, tão pequeno que nem dá para ler a olho nu, para o propósito de usar em correntes convida ao shirk. De forma semelhante, ornamentos com o Ayatul Kursi (verso do Trono), escrito em letras minúsculas, virtualmente ilegíveis, e usado em pendentes também encorajam shirk. Aquele que usa tais ornamentos só para decoração não comete shirk, mas a maior parte que os usa pensam que estarão protegidos do mal por causa disso e logo entram numa espécie de shirk no fundamental princípio do Tawhid (Unicidade de Allah).

Os muçulmanos devem evitar cuidadosamente o uso do Qur’an como um amuleto de boa sorte. Pendurando-o nos seus carros, nos seus porta-chaves, braceletes ou pulseiras e colares, como os não-muçulmanos fazem com os seus vários amuletos e talismãs, abre a porta ao shirk. Logo, um esforço consciente deve ser feito para purificar a sua crença de todas as coisas que poderão subtrair a pura concepção do Tawhid.

Extrato do livro The Fundamentals of Tawheed (Islamic Monotheism) pág. 72 a 80.

Shirk e Kufr